• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quarta, 19 Fevereiro 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Sáb.
 22° / 7°
Períodos nublados
Sex.
 21° / 7°
Céu limpo
Qui.
 19° / 5°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  19° / 5°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Um piscar de olho à cultura

Opinião  »  2015-12-18  »  Adelino Pires

"Pura coincidência (ou não), a exposição decorre em pleno fervor republicano com os nervos à flor da pele. É nela que nos surge o piscar de olho do maior vulto da língua pátria, esse mesmo, o Luís Vaz de Camões, acreditando na tradição, nosso vizinho em Constância."

Numa louvável iniciativa conjunta, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação da Casa de Bragança têm patente desde o passado dia 13 de Novembro e até 15 de Fevereiro de 2016, a notável exposição «D. MANUEL II e os livros de CAMÕES».

D. Manuel de Bragança, último rei de Portugal, foi um apaixonado bibliófilo. A nostalgia pelo seu país que o longo exílio inglês tanto aprofundou fez com que tenha dedicado então o melhor do seu tempo ao estudo do Portugal de quinhentos.

Perdido o Brasil, ameaçadas as possessões africanas com nuvens negras apesar do mapa cor de rosa e instaurada a República, que mais restaria a um exilado “profundamente português”, de cultura superior, com acesso privilegiado a meios culturais e literários de prestígio, se não mergulhar na sua paixão de bibliófilo?

Quando morre, em 1932, D. Manuel possuía um invejável conjunto de 112 obras camonianas editadas entre 1528 e 1928, tornando-se o maior coleccionador particular alusivo a Camões.

O catálogo da exposição é, por si só, como que uma ementa para uma refeição gourmet, servida com talher de prata. Foi-me trazido por um amigo, camoniano convicto, dos primeiros a visitá-la. Obrigado Mário, pela cortesia.

Pura coincidência (ou não), a exposição decorre em pleno fervor republicano com os nervos à flor da pele. É nela que nos surge o piscar de olho do maior vulto da língua pátria, esse mesmo, o Luís Vaz de Camões, acreditando na tradição, nosso vizinho em Constância.

Curiosamente, quem estuda a iconografia camoniana, sabe bem que o poeta nem sempre cerra o mesmo olho. Tanto pisca o olho à esquerda como o faz à direita, consoante quem o retrata.

As dúvidas vão mesmo mais longe e fixam-se na primeira edição de “Os Lusíadas” de 1572, a primeira epopeia escrita em língua portuguesa e em que, em duas versões com a mesmíssima data, a figura do pelicano da portada do livro, nos aparece com o bico ora voltado para um lado, ora para o outro. Ironias quinhentistas.

Por lá está também a segunda edição portuguesa, conhecida como a «edição dos piscos» editada já em período filipino (1584) e censurada por nuestros hermanos, a de Pedro Crasbeeck, a de Emílio Biel, enfim, tantas outras e tudo aquilo que, dificilmente, se voltará a reunir no espaço e no tempo.

Por fim, para vos desafiar à visita, transcrevo apenas um pequeno excerto de uma Carta de D. Manuel II ao camonista José Maria Rodrigues (07.XI.1929):

“... não pertenço ao mundo dos bibliófilos que não querem (que) ninguém veja os tesouros que possuem...»

Camões sabia bem o que fazia, quando piscava o olho à cultura...

 


(Adelino Correia-Pires, Novembro 2015)

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Entre o redil e o prado »  2020-02-08  »  Jorge Carreira Maia

Num dos artigos anteriores falou-se aqui do discurso do rancor que se desenvolve em Portugal. Esse discurso não é específico do nosso país, atinge os países ocidentais, nos quais, por um motivo ou outro, lavra uma cólera não disfarçada, um desejo de confronto cada vez maior, onde a normal divergência política ameaçar radicalizar-se, dividindo os campos entre amigos e inimigos.
(ler mais...)


ORA VIVA, SENHOR RADETZKY! »  2020-02-07  »  José Alves Pereira

A celebração de um concerto musical pelo Ano Novo é um ritual que, iniciado em Viena (1939), se estende hoje por muitas salas e cidades. O espectáculo da Filarmónica Vienense, na sala do Musikverein, com transmissão televisiva para milhões de pessoas, riqueza ambiente, bailados e uma lento vaguear pela sala, nos seus dourados, candelabros e frisas, exibe-se também na assistência, revivendo um certo um passado nostálgico do fausto aristocrático.
(ler mais...)


“Xuxu” »  2020-02-07  »  Rui Anastácio

“Não há pior ameaça à paz do que os que foram cobardes em tempo de guerra: eles têm contas a ajustar consigo mesmos e os outros é que as pagam”.

A frase é do Miguel Sousa Tavares, com quem não concordo muitas vezes, mas que leio religiosamente todas as semanas, a ele e à Clara Ferreira Alves.
(ler mais...)


Mobilidade e descarbonização »  2020-02-07  »  António Gomes

Este é o grande desafio que está colocado à humanidade e em particular aos decisores políticos: garantir transportes em qualidade e quantidade e não poluentes.
Também assim é na cidade de Torres Novas.
(ler mais...)


O (de) mérito de Chicão »  2020-02-07  »  Ana Lúcia Cláudio


A questão da paridade e da (pouca) intervenção das mulheres na política voltou à ordem do dia, na sequência da eleição do novo presidente do CDS. O jovem Chicão, que, curiosamente, veio ocupar o lugar deixado vago pela primeira mulher-presidente na história do partido – Assunção Cristas –, encabeça uma Comissão Política em que nos 59 nomes que a integram existem apenas seis mulheres.
(ler mais...)


Xenovírus, por Inês Vidal »  2020-02-07  »  Inês Vidal

Somos xenófobos por natureza. Também somos racistas, hipócritas, egoístas. Pensamos em nós, nos nossos e os outros que se lixem. E quanto lá mais longe, melhor. Não fosse verdade esta minha pessimista afirmação, não chamaríamos chagas, ou melhor chegas, para a nossa casa-mãe.
(ler mais...)


Hipocrisia colectiva, por Inês Vidal »  2020-01-30  »  Inês Vidal

Este ano há festa da Benção do Gado, em Riachos. Uma festa de raízes, uma homenagem às origens do povo riachense. Pelo menos é essa a sua intenção primeira. Recordo, a propósito, quando numa das vezes em que percorri as ruas engalanadas da vila por altura das festas, uma das coisas que me chamou a atenção nos quadros populares que recriam essas tais raízes riachenses, foi o facto de tão natural e repetidamente se recordar a personagem do homem embriagado, copo na mão, garrafão aos pés.
(ler mais...)


Em memória de um velho camarada »  2020-01-30  »  José Alves Pereira

Um facto recente – desaparecimento de um velho camarada - leva esta habitual crónica por caminhos não previstos, rememorarando factos de há cinquenta anos, fragmentos da resistência antifascista em Torres Novas.
Em Outubro de 1969, haviam-se realizado “eleições” para deputados à Assembleia Nacional.
(ler mais...)


O IVA e o desenvolvimento »  2020-01-30  »  António Gomes

A última tentativa do PS/Torres Novas para branquear a situação em que tem vindo a transformar o concelho desmoronou-se como um castelo de cartas.

A Lei das Finanças Locais sofreu uma alteração positiva para as autarquias, ao passar a atribuir a estas 7,5% do IVA cobrado no respectivo concelho e relativo a restauração, hotelaria, electricidade, gás, comunicações e água.
(ler mais...)


O João »  2020-01-30  »  Rui Anastácio

“O João é gente boa! Sabe o que acontece? A cabeça dele é que não funciona na hora certa.”
O sotaque era brasileiro, pintor de fachadas e alguma sabedoria tolerante na voz, trazidas certamente por uma longa e dura vida pendurada em andaimes.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-01-30  »  António Gomes O IVA e o desenvolvimento
»  2020-01-30  »  Rui Anastácio O João
»  2020-01-30  »  Inês Vidal Hipocrisia colectiva, por Inês Vidal
»  2020-01-24  »  Jorge Carreira Maia Rui Rio faz o seu caminho
»  2020-01-30  »  José Alves Pereira Em memória de um velho camarada