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A água potável é cada vez mais rara... mas há quem ache que não

Opinião  »  2014-12-24  »  mg teste

Todos os dias somos bombardeados no sentido de pouparmos água nas nossas actividades do dia-a-dia.

Os autoclismos devem levar lá dentro uma garrafa de plástico de 1,5l, cheia de água, e assim poupa-se sempre 1,5l de cada vez que se descarrega o aparelho.

Quando estamos a lavar os dentes, devemos fechar a torneira enquanto estamos a escová-los. Poupa-se muita água.

E assim por diante.

A EPAL, que abastece mais de metade do país, na sua página onde sublinha a sustentabilidade e responsabilidade empresarial diz: ”Ciente da criticidade da sua actividade para a qualidade de vida da sociedade em que se insere e da responsabilidade social conferida para 14 décadas de existência, a EPAL subscreveu o Pacto Global das Nações Unidas em 2008 e encontra-se empenhada na melhoria das condições de acesso à água para consumo humano e na melhoria da sua salvaguarda e gestão sustentável, no presente, potenciando o futuro.”

Porém, essa mesma EPAL, nos contratos que mantém com os seus clientes, nomeadamente autarquias locais, usa uma política exactamente contrária, já que exige o pagamento de consumos mínimos que raramente são consumidos para que a sua actividade tenha a melhor rentabilidade, possivelmente com vistas a uma futura privatização mais apetecível. Por exemplo, a EPAL fornece água à freguesia de Minde desde 1998, ano em que o furo que abastecia aquela freguesia começou a brotar água imprópria para consumo, dado que o maior aquífero subterrâneo da península – Maciço Calcário Estremenho – nunca foi protegido, e ao longo dos anos foi obrigado a ”engolir” toda a espécie de poluentes pelo que, infelizmente, os resultados estão à vista. As águas do Alviela, do Almonda, do Olho de Boi e do Lis já vêm poluídas ao nascer. Por isso, o manancial do Castelo do Bode é a menina de olhos bonitos da EPAL e a solução mais viável para um abastecimento deste bem essencial às populações. Mas, por força da sua força, passe a redundância, exige aos distribuidores consumos mínimos exagerados que só visam a sua rentabilidade financeira e até podem de algum modo provocar o esbanjamento daquele precioso bem, por exemplo na eventual demora na detecção e reparação de roturas. E, no final, quem paga são sempre os mesmos do costume.

Voltando a Minde e ao contrato de 1998, celebrado pelas partes por 25 anos prorrogáveis, nesse ano seriam precisos 300.000 m3 e foram projectados, progressivamente, aumentos desses consumos mínimos que no final de 2013 já atingiam 400.000 m3. Ao invés, os consumos reais foram sempre caindo pelo que no final de 2013 já não chegavam aos 200.000 m3, mas a factura cobrava os tais 400.000 m3.

Por esse motivo, as entidades intervenientes, Luságua, distribuidora de água no concelho de Alcanena por concessão da câmara, a câmara e a EPAL, entraram em negociações tendo a EPAL apresentado uma proposta final e irredutível com abaixamento do consumo mínimo para 260.000 m3 mas, para compensação e sua segurança, obrigou a uma adenda ao contrato, garantindo a facturação por mais 30 anos para além do contrato ainda em vigor.

E a câmara aprovou essa adenda e a assembleia municipal também a aprovou, pese embora ter havido uma proposta de adiamento deste assunto neste último órgão, para melhor estudo das condições contratuais e procura de uma solução com alguma justiça. Mas até essa proposta foi recusada pela maioria da assembleia, ficando assim o concelho hipotecado para além de 2050, concretamente até 2053, e obrigado a pagar uma factura daquilo que não vai consumir. E estamos a falar de água, bem essencial cada vez mais raro.

Parece impossível, mas até nestes casos os interesses dos mercados falam mais alto do que o interesse das pessoas. Essa é que é essa.

Carlos Pinheiro

 

 

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