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Nós e as combinações alimentares

Opinião  »  2017-06-06  »  Juvenal Silva

"É importante compreender o nosso sistema digestivo para conjugarmos as nossas refeições"

Muitas pessoas estão interessadas em conhecer as suas intolerâncias alimentares, mas desconhecem, que para além disso, existem as incompatibilidades entre alimentos, causadoras de digestões incompletas e às vezes até intoxicações.
Há dias, uma mãe ligou-me muito aflita porque a filha tinha tomado um pequeno almoço saudável, mas sentia-se muito mal e quase “a rebentar”. Pouco depois foi ao hospital porque já estava com uma enorme alergia cutânea, dores no corpo e cabeça, com vómitos e diarreia.
O que aconteceu? Uma mistura de cereais, frutos secos, chia, linhaça, sementes, uma banana e bebida vegetal de arroz mel e canela.
Tudo bons alimentos, mas mal combinados.
É importante compreender o nosso sistema digestivo para conjugarmos as nossas refeições.
A digestão começa na boca e por isso é fundamental uma boa mastigação para produzir uma salivação suficiente para que os alimentos sejam assimiláveis. A saliva é rica em enzimas digestivas e entre elas há a ptialina, necessária para realizar a digestão dos alimentos ricos em hidratos de carbono complexos, como por exemplo os cereais, que para serem digeridos precisam de um ambiente neutro ou ligeiramente alcalino. Quando colocamos na boca pão, massa ou arroz, a saliva torna-se imediatamente rica em ptialina, dando início à digestão.
Quando começamos a comer carne, o ambiente torna-se ácido, indispensável para a digerir.
Nos alimentos, é mais determinante a reacção provocada no organismo do que a sua acidez ou alcalinidade no estado natural. Por exemplo, o sumo do limão, acentuadamente ácido, tem um efeito alcalinizante derivado às diversas reacções bioquímicas. Inversamente, o açúcar, apesar de ser doce, é fortemente acidificante.
Ora, a digestão começa na boca e os alimentos parcialmente digeridos continuam no estômago transformando-se em quimo, ou seja, uma mistura que se forma pela acção sobre os alimentos dos sucos gástricos produzidos pelas paredes do estômago, em que a composição varia de acordo com os alimentos ingeridos. Isto significa que o estômago adapta os seus sucos gástricos ao tipo de alimentos ingeridos. E não segrega apenas ácido clorídrico para desmembrar proteínas, pois são muitos os sucos gástricos, variando se trate de carne, peixe, ovos, lácteos, leguminosas, etc.
Então, se os hidratos de carbono chegam ao estômago sem qualquer mistura, a acidez permanece baixa, porque a digestão iniciada na boca graças a elementos como a ptialina, continua sem ser perturbada. Mas bastará comer uma pequeníssima porção de carne, para transformar de imediato o PH alcalino para um PH de elevada acidez, imprescindível para a digestão da carne. Contudo, impede a continuação do processo digestivo dos hidratos de carbono.
Facilmente concluiremos que os hidratos de carbono simples são incompatíveis com os hidratos de carbono complexos, que os cereais são incompatíveis com carne, ou os lacticínios com carne, ou proteínas com substâncias ácidas ou leguminosas.
Uma associação compatível são as verduras com hidratos de carbono complexos, ou proteínas, ou leguminosas, como exemplo.
Os sumos de verduras com fruta associada não são uma boa opção, porque não são próximas em termos de composição e porque requerem enzimas diferentes para a sua própria assimilação, sendo preferível consumi-los separadamente.
A fruta, o momento ideal para comer é sempre distante das refeições.

 

 

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