Warning: file_get_contents(http://api.facebook.com/restserver.php?method=links.getStats&urls=jornaltorrejano.pt%2Fopiniao%2Fnoticia%2F%3Fn-576a95a5): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 404 Not Found in /htdocs/public/www/inc/inc_pagina_noticia.php on line 148
Jornal Torrejano
 • SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 13 Julho 2026    •      Directora: Inês Vidal    •      Estatuto Editorial    •      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 30° / 17°
Períodos nublados
Qua.
 33° / 15°
Períodos nublados
Ter.
 31° / 16°
Períodos nublados com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  30° / 16°
Céu nublado
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Goodbye Marx - josé ricardo costa

Opinião  »  2023-11-21  »  José Ricardo Costa

"CRÓNICA DE VIAGENS"

Apesar da sua grande importância durante o Império Romano, do qual há muitos vestígios, ou a Idade Média, Trier é hoje apenas uma simpática cidade da Renânia-Palatinado, bem encostadinha ao Luxemburgo. Banhada pelo rio Mosel, que segue o seu caminho até se juntar ao Reno, ali perto, em Coblenz, rodeada por altaneiros castelos, vendo-se ainda aconchegada por vinhedos dispostos em socalcos quase verticais – a lembrar o Douro - que nos oferecem excelentes Riesling que contribuem para a nossa felicidade em quentes noites de Verão.

O centro da cidade é muito Mitteleuropa. Deambula-se por ali como por Cracóvia, Poznan, Viena ou Bratislava, ruas limpas e bem ordenadas, casas antigas coloridas e tão bem conservadas como se acabadas de construir, não faltando edifícios de grande relevância histórica, sendo a romana Porta Nigra o mais imponente. E é próximo desta que vou dar com uma imponente estátua, cinco metros de Karl Marx diante dos meus olhos, motivo suficiente para beliscar o braço para lembrar que não se está em Tirana, Bucareste ou Karl Marx Stadt durante os anos 80 do século passado.

Sabia há muito que foi nesta cidade alemã que o autor de O Manifesto Comunista abriu os olhos pela primeira vez, ainda muito antes de contribuir para, sem querer, fechá-los a muita gente. Mas daí a apanhar com aquele colosso pela frente vai um grande passo. Soube então que fora inaugurada meses antes, uma oferta da República Popular da China para comemorar os 200 anos da abertura daquele par de olhos que assistiram a um século de grandes convulsões sociais e políticas.

Foi estranha a sensação de ver aquela enorme estátua em vez de uma simples placa evocativa, ou um busto como o que está no belíssimo cemitério de Highgate, no bucólico norte de Londres, onde Marx repousa junto de alguns familiares, habituados que estávamos a ver este tipo de estátua em países ditatoriais, de partido único, com temíveis polícias políticas, como era o caso da RDA, ali bem perto.

Mas se primeiro se estranha, depois entranha-se. E foi Nietzsche, com as suas célebres metamorfoses do espírito, que me ajudou a entranhar. Primeiro o camelo, atravessando o deserto com o seu pesado fardo, metáfora do espírito submisso e obediente. Foi o que aconteceu aos povos sob os regimes comunistas. Depois vem o leão que se revolta, substituindo o "Tu deves" por um "Eu quero". O que aconteceu quando o derrubaram. Por fim, a criança que na sua inocência e inconsciência já está para lá de tudo isso, transformando o peso em leveza. Percebe-se, pois, a naturalidade com que uma democracia liberal aceita aquela majestática estátua em Trier. Tal acontece porque não se trata de uma Alemanha traumatizada a precisar de matar um pai como aconteceu noutros países, tendo antes o nazismo como mancha histórica que precisou de renegar. Olha-se para aqueles cinco metros e em vez de um pai, de um ídolo, de uma ideia, de um farol, de um deus como aconteceria também com Lenine ou Estaline, o que hoje se vê é apenas uma marca histórica como a Porta Nigra, a Catedral, a Igreja de Nossa Senhora ou as Termas Romanas.

Marca que ainda me permitiu ver, no Museu da Cidade uma excelentemente montada exposição sobre o filósofo e economista, como se fosse sobre Thomas More em Londres, Maquiavel em Florença ou Richelieu em Paris. Tudo gente importante, pelas ideias ou acções mas apenas isso, gente que foi importante pelas ideias ou acções.

E gosto da ideia de poder olhar para a história através do que já não são mais do que indolores cicatrizes do que foram terríveis feridas. Tem o dr. Reich razão quando diz que não devemos erguer estátuas que não possam ser derrubadas. Mas não me parece mal erguer estátuas de alguém que apenas pensou e escreveu, e cujas ideias já não são invocadas para oprimir povos. Não gosto da estátua, mas apenas por razões estéticas. E é nessas águas que gosto de navegar, sobretudo quando protegidas de ideologias.

 

 

 Outras notícias - Opinião


É tempo de mudança »  2026-07-07  »  António Mário Santos

Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas.

Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público.
(ler mais...)


É só uma fase »  2026-07-07 

O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes.
(ler mais...)


Mundial de Futebol e Tour de França »  2026-07-07  »  Jorge Carreira Maia

Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos.
(ler mais...)


Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes »  2026-06-23 

É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro.
(ler mais...)


Julgam-se donos disto tudo »  2026-06-20  »  António Gomes

A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa.

É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde.
(ler mais...)


Seis meses já dão para refletir se há ou não mudança? »  2026-06-20  »  António Mário Santos

Tenho, no ano que corre, seguido com a maior atenção as sessões públicas, quer do executivo camarário, quer da Assembleia Municipal, algo que nunca fiz nas duas últimas décadas. A maioria absoluta do Partido Socialista, no município, criara uma mentalidade de arrogância autoritária, geradora, por um lado, dum distanciamento entre governantes e governados, e, por outro, na formação duma coorte de lambebotismo acéfalo, cujos interesses próprios ou familiares assentavam na oportunidade de emprego nos quadros do pessoal municipal, nas bem aventuranças de subsídios, na aprovação de projectos de obras nunca bem clarificados, em festas e publicidade a esmo, num despesismo rotineiro não fiscalizado, que deixava um rasto de dúvidas sobre a legalidade de muitos actos de gestão.
(ler mais...)


CH4 »  2026-06-20  »  Carlos Paiva

Podemos enumerar os argumentos que habitualmente nos escudam de uma análise crítica, como se a escala económica, dimensão de mercado, localização geográfica, justificassem decisões péssimas, essencialmente motivadas por falta de verticalidade.
(ler mais...)


Marxismo cultural, uma fantasia - jorge carreira maia »  2026-06-20  »  Jorge Carreira Maia

Há dias, deparei-me com um vídeo em espanhol sobre uma mudança irrevogável do Ocidente gerada por seis homens. O vídeo faz parte do conflito ideológico com o marxismo cultural. É um exemplo da linguagem que parte da direita e a extrema-direita usa na guerra cultural que desencadeou há anos.
(ler mais...)


A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia »  2026-06-07  »  Jorge Carreira Maia

 

A primeira encíclica do Papa Leão XIV – Magnifica Humanitas – toca em duas áreas fulcrais para a humanidade. A área da tecnologia e a área política. A Inteligência Artificial (IA) não é rejeitada pelo Vaticano.
(ler mais...)


Minudências que consomem - carlos paiva »  2026-06-07  »  Carlos Paiva

A micro gestão, em inglês micromanagement, é um dos erros de gestão mais combatido nas estruturas empresariais. Caracterizada pela centralização de decisões, ausência de delegação de tarefas e responsabilidades, obsessão com detalhes e comunicação unilateral entre camadas hierárquicas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2026-06-23  Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
»  2026-06-20  »  Jorge Carreira Maia Marxismo cultural, uma fantasia - jorge carreira maia
»  2026-06-20  »  Carlos Paiva CH4
»  2026-06-20  »  António Mário Santos Seis meses já dão para refletir se há ou não mudança?
»  2026-06-20  »  António Gomes Julgam-se donos disto tudo