• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 18 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 16° / 10°
Céu nublado com chuva fraca
Qua.
 16° / 10°
Céu nublado com chuva moderada
Ter.
 14° / 1°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  14° / 2°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O outro somos nós - margarida trindade

Opinião  »  2020-09-01  »  Margarida Trindade

"O medo é um problema. Facto. Mas, nos dias que correm, o medo parece ser parte da solução."

Numa muito recente viagem de família, a dada altura e já próximos do destino, a fim de sabermos qual o caminho a tomar, parámos numa bomba de gasolina e baixados os vidros das janelas, lançámos às três pessoas sentadas na mesa da esplanada a demanda pela estrada a seguir.
Fitaram-nos em silêncio três pares de olhos desconfiados. Foi a resposta imediata que obtivemos. Tomamos logo consciência da presença nítida da ameaça que, forasteiros, representávamos e, depois, uns longos segundos depois, quando já não esperávamos qualquer palavra dita, uma mulher de máscara, a medo, lá soprou seca, é para a esquerda. A próxima povoação.
Agradecemos, sorrisos parvos quase a servirem de desculpa, virámos e tomámos o caminho, numa inquietação que se colou a nós o dia inteiro. Sentimo-nos mal-vindos, intrusos, os eventuais portadores de doença.
Na verdade, foram os únicos estranhos com quem nos cruzámos na rua, o que já não acrescentaria novidade em terras onde os homens dormem nas casas frescas a sesta que os guarda do sol ímpio de um Agosto que nos sufoca. Nem vivalma.
O medo é um problema. Facto. Mas, nos dias que correm, o medo parece ser parte da solução. É um sucesso garantido, o medo, para ser mais precisa.
E vive-se este paradoxo insano. É que parece haver uma qualquer conveniência, herdada de um passado nem por isso tão longínquo, de combater o medo com a mesma dose de intensidade com que o mesmo se propaga. E o que quer isto dizer? Quer dizer que o medo é o terreno fértil onde medram, em horizonte opaco e informação difusa, crenças, mitos, e onde, por mais contraditório que pareça, a ciência parece ter pouca aceitação.
Quem crê, é suposto ser mais feliz. Ou, pelo menos, tem mais hipóteses de o ser. É legítimo. Mas esta é a primeira premissa de uma certa ditadura. Desde o princípio dos tempos que os crentes buscam salvação e se agarram a entidades etéreas, que não conseguem alcançar. A outros e a outras que são, no fundo, eles mesmos. E nesses depositam os mais íntimos anseios, sonhos e confiança. E que a fé salva muita gente, não tenho dúvidas. Sendo que o contrário também é inegável.

Assim, e em simultâneo, o outro, de carne e osso, vindo de fora, é por sua vez uma ameaça. É o forasteiro. O que nos vem tirar trabalho. O que nos vem ocupar território. O que professa outra religião. O que traz a doença. O mal.
O outro é o que já não cabe onde o mito e as crenças ocuparam todos os lugares. Onde o medo vence, fecha portas, impõe o silêncio, paralisa o pensamento e nos domina debaixo de um torpor intelectual.
Aguentem-se os mais cépticos, sem remédios de alma maiores do que a teimosia de tentar procurar, dentro da aridez da compreensão racional, alimento para um contentamento bem mais difícil de alcançar. Mais contidos e sem grandes acessos de entusiasmo ou até de fé, que se conheça, diga-se. Uns tristes, que não se entregam à debandada geral para a felicidade que se vai impondo nestes dias.
É que o outro somos nós. E o medo é onde a esperança nos abandona à nossa pouca sorte.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)


Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia »  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia

A sondagem da Aximage, para o DN/JN/TSF, referente ao mês de Dezembro, dá ao CDS uns miseráveis 0,3%. Os partidos também morrem e o CDS está moribundo. Teve um importante papel na transição à democracia e, também, na vida democrática institucionalizada.
(ler mais...)


Coltur… Quoltur… Coultur… Hábito - carlos paiva »  2021-01-10  »  Carlos Paiva

A arte pode dividir-se em dois grandes grupos. A arte comercial e a arte não comercial. A não comercial, por se reger pela criatividade, originalidade, inovação, profundidade, talento e virtuosismo, acaba por ser a produtora de matéria-prima para a arte comercial, regida essa pelas leis de mercado.
(ler mais...)


Resíduos urbanos - antónio gomes »  2021-01-10  »  António Gomes

O sector dos resíduos sólidos urbanos esteve recentemente na agenda mediática devido à revolta das populações que vivem perto dos aterros onde são depositados, pois assistem à constante degradação da sua qualidade de vida.
(ler mais...)


Como serás tu, 2021? - anabela santos »  2021-01-10  »  AnabelaSantos

 

O nosso maior desejo era fechar a porta a 2020 e abrir, com toda a esperança, a janela a 2021. E assim foi. Com música, alegria, festarola e fogo de artifício, tudo com peso e medida, pois havia regras a cumprir.
(ler mais...)


2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal »  2021-01-10  »  Inês Vidal

Finalmente 2021. Depois de um ano em que mais do que vivermos, fomos meros espectadores, fantoches num autêntico teatro de sombras, com passos e passeatas manipulados por entre margens e manobras de cordelinhos, chegámos a 2021. E chegámos, como em qualquer ano novo, com vontade de mudar, de fazer planos, resoluções que acabaremos por abandonar antes do Carnaval.
(ler mais...)


2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia »  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia

O ano de 2020 não foi fácil. A pandemia desestruturou os nossos hábitos e começou a desfazer a relação tradicional que tínhamos com a vida. Introduziu a incerteza nas decisões, o medo nos comportamentos, o afastamento entre pessoas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-12-19  »  Inês Vidal Paul do Boquilobo - Inês Vidal
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia 2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia