• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quinta, 20 Junho 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Dom.
 24° / 15°
Céu nublado com chuva fraca
Sáb.
 29° / 12°
Períodos nublados
Sex.
 25° / 14°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  24° / 14°
Céu nublado
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

A culpa é da árvore?

Opinião  »  2018-02-15  »  Denis Hickel

"A inspiração para a mudança está aí, à mão de semear"

Ninguém pode ter deixado de reparar que já vamos em Fevereiro e a chuva ainda não foi o suficiente para sairmos da situação de seca e fazer correr os pequenos ribeiros. Ou ainda, que circula nos media que estão 40 milhões de mudas de eucalipto prontas para ir para o solo, seja para recuperar as perdas das áreas ardidas, ou mesmo ampliar a plantação para a indústria da pasta de papel. A mesma que até o momento vai sufocando de morte o rio Tejo.

Em meio a tudo isso é comum buscar culpados: Ora o eucalipto, ora os políticos ou empresários gananciosos. Dá sempre jeito. O problema de querer buscar culpados e respostas em coisas terceiras é que nos isenta da reflexão e da responsabilidade de sermos nós os consumidores de tudo que alimenta este fazer. Mas e a árvore, hein?
A razão de culparmos uma árvore pelos nossos graves problemas ambientais acontece por não questionarmos o andar das coisas. O mundo surge dos significados que nós lhe atribuímos, de um processo emergente de relações que retroalimentam e legitimam toda uma cultura de degradação ambiental. É mais do que tempo de admitir que é necessário olhar para as coisas que nos afligem de forma diferente.

É comum ver nos discursos que habitam o noticiário e mesmo a legislação, que não distingue-se monocultura de floresta. O que hoje chamam de floresta nada mais são do que monoculturas que desconsideram aspectos ecológicos e até mesmo culturais, com o propósito de atender intenções estritamente económico-financeiras; as mais imediatas em detrimento das de longo prazo. Neste caso, podemos plantar eucaliptos, pinheiros, exóticas, ou autóctones; se as formas, intenções e aspirações não mudam, também não mudam as relações, o fazer e os problemas daí advindos.

Uma floresta não é simplesmente um aglomerado de árvores, mas antes um sistema vivo, diverso e complexo que envolve relações entre diferentes espécies de animais, fungos, bactérias e plantas, incluindo nós seres humanos. Se entendermos a floresta e suas dinâmicas, entenderemos que podemos abrir todo um leque de oportunidades para o fazer humano, tão diverso e rico, como um ecossistema pode ser (redes, ecoliteracia, biomímese, permacultura, agroecologia, são alguns dos novos entendimentos).

Com este conhecimento, podemos planear e plantar florestas não só por motivos económicos e mono funcionais, mas também tão complexas e ricas como florestas naturais, onde para além da produção, poderíamos regenerar ecossistemas e beneficiar dos serviços que estes nos prestam. Como diz Ernst Gotsch (e outros nomes que poderia citar), podemos plantar água! Mas para isso devemos transmutar a nossa matriz cultural e produtiva (e consumista), das coisas aos alimentos.

A inspiração para a mudança está aí, à mão de semear. Toda a poluição e processos de impacto negativo no ambiente são resultados de valores, escolhas, de planeamento e de estratégias que envolvem desde a criação dos recursos, sua distribuição, consumo e disposição final. Ainda sim, em última instância, somos nós, que não questionamos, apenas consumimos.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Democracia »  2019-06-19  »  Inês Vidal

Somos todos pela democracia. Menos quando ganha quem não queremos. Esta coisa da democracia tem que se lhe diga. Que o diga eu que, nunca falhando a umas eleições, nunca vi ganhar nenhumas. Fica sempre um sabor amargo na boca, uma angústia de não ver ganhar quem se quer.
(ler mais...)


O Tempo dos Gelados »  2019-06-19  »  José Ricardo Costa

Uma coisa que a natureza tem de bastante simpático, facilitando-nos a vida, é a sua circularidade. Por exemplo, as estações do ano. Fosse a natureza destrambelhada e nada poderíamos prever, deixando-nos à nora sobre o que fazer no dia seguinte.
(ler mais...)


Problemas de memória »  2019-06-19  »  Hélder Dias

Glifosato Man »  2019-06-19  »  Hélder Dias

Agustina, a crise na direita, a doença da social-democracia e a teia »  2019-06-07  »  Jorge Carreira Maia

AGUSTINA BESSA-LUÍS. O século XX português teve uma mão cheia de excelentes romancistas. A atribuição do Nobel a Saramago reconheceu isso. Se tivesse sido a Agustina, não teria ficado mal entregue.
(ler mais...)


Parabéns, abstenção! »  2019-06-06  »  Anabela Santos

Muito se tem falado, já tudo foi dito e é do conhecimento de todos que as eleições europeias realizadas no dia vinte e seis de Maio trouxeram uma vitória para a esquerda, excepto para o PCP, e uma acentuada derrota para a direita.
(ler mais...)


Encruzilhada »  2019-06-06  »  António Gomes

Já assim era, mas depois das últimas eleições europeias a interrogação subiu de tom: vai ou não haver geringonça após as próximas eleições legislativas? – as pessoas perguntam.
(ler mais...)


GREVE? »  2019-06-06  »  Denis Hickel

gre·ve
(francês grève)
substantivo feminino
Interrupção temporária, voluntária e colectiva de atividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação (ex.
(ler mais...)


Quando a pedra é o sapato »  2019-06-06  »  Ana Sentieiro

Ontem trajei pela primeira vez. A Noite de Serenatas enlatou a comunidade académica da Universidade do Minho no Largo da Sé. A escuridão dos trajes iluminava os corações dos presentes, aquecia os abraços e motivava as lágrimas ao som da melodia das guitarras portuguesas.
(ler mais...)


Bruno Lage, privatizações, comendas e europeias »  2019-05-26  »  Jorge Carreira Maia

BRUNO LAGE. O actual treinador do Benfica é, justamente, louvado pelo que fez no campo desportivo. Se o Benfica é campeão deve-o a Bruno Lage. Quero, porém, louvá-lo por outra coisa.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-05-26  »  Jorge Carreira Maia Bruno Lage, privatizações, comendas e europeias
»  2019-06-07  »  Jorge Carreira Maia Agustina, a crise na direita, a doença da social-democracia e a teia
»  2019-06-06  »  Ana Sentieiro Quando a pedra é o sapato
»  2019-06-06  »  António Gomes Encruzilhada
»  2019-06-06  »  Denis Hickel GREVE?