• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 18 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 16° / 10°
Céu nublado com chuva fraca
Qua.
 16° / 10°
Céu nublado com chuva moderada
Ter.
 14° / 1°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  14° / 2°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

A mesa - rui anastácio

Opinião  »  2020-09-12  »  Rui Anastácio

"À mesa libertamos a alma, se necessário damos murros na mesa, avançamos, criamos laços por vezes indestrutíveis"

Tenho um certo fascínio por mesas. Ao longo da minha vida já mandei fazer algumas. Quase sempre mesas grandes e robustas. Onde se possam sentar muitas pessoas. Onde se possa beber um bom vinho, comer muito, conversar muito, discutir muito, praguejar, gritar, lutar por ideias e ideais.
Dizem que à mesa não se envelhece. Estou tentado a acreditar nisso. Parece que o tempo pára quando estamos entre bons amigos, ainda me lembro daquela noite na garagem do Miguel, comemos entre as sete da tarde e as duas da manhã, bebemos muito, éramos os cinco habituais. O das ideias, o das tradições, o da história, o habilidoso e o erudito.
O Vítor ainda estava connosco. Sem o Vítor nunca mais foi a mesma coisa. Passou a faltar-nos erudição e alguma bondade. Continuamos a beber muito e a falar alto. Continuamos a trocar mimos do tipo “és uma besta”, ou em alternativa “és um ignorante”, ou a chorar quando nos lembramos do Vítor e já temos algum vinho bebido.
Já há alguns anos que só bebemos vinho. Expulsámos de vez aquelas coisas que vinham a seguir e que nos deixavam com enormes arrependimentos no dia seguinte. Um arrependimento por cada copo.
Não entendo muito bem a expressão “mesa de negociações”, há outros sítios mais adequados para negociar, negociar pára a digestão, obriga a contorcionismos, por vezes agride a alma.
Há alguns anos atrás tinha uma guerra instalada entre alguns colaboradores. Não nos sentámos à mesa, fomos para o relvado, ouvimos os passarinhos comodamente instalados e por lá percebemos aquilo que nos unia e as opções que tínhamos pela frente. Foi uma boa hora de conversa, não comemos nem bebemos.
À mesa libertamos a alma, se necessário damos murros na mesa, avançamos, criamos laços por vezes indestrutíveis. Outras vezes, desfazemos coisas desfeitas.
A penúltima mesa foi feita de raiz de nogueira, esta última foi um namoro de dois anos. O senhor Jorge da lenha chamou-me. Tinha algo para mim. Fomos ver o bicho acabado de cortar. Um eucalipto grandioso. Ficou dois anos na serração a sangrar. Este verão estava no ponto, a esplanada estava acabada. Mesa para doze e uma lareira de rua para o inverno que aí vem. Pelo caminho o Pedro teve um acidente, daqueles acidentes dos carpinteiros.
Estamos no fim do verão, dois anos depois do telefonema do senhor Jorge. Temos mesa. Robusta como se querem todas as mesas. Vai ter que aguentar com muitas discussões violentas. Tem 3 metros de comprimento e 77 cm de altura. A altura perfeita.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)


Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia »  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia

A sondagem da Aximage, para o DN/JN/TSF, referente ao mês de Dezembro, dá ao CDS uns miseráveis 0,3%. Os partidos também morrem e o CDS está moribundo. Teve um importante papel na transição à democracia e, também, na vida democrática institucionalizada.
(ler mais...)


Coltur… Quoltur… Coultur… Hábito - carlos paiva »  2021-01-10  »  Carlos Paiva

A arte pode dividir-se em dois grandes grupos. A arte comercial e a arte não comercial. A não comercial, por se reger pela criatividade, originalidade, inovação, profundidade, talento e virtuosismo, acaba por ser a produtora de matéria-prima para a arte comercial, regida essa pelas leis de mercado.
(ler mais...)


Resíduos urbanos - antónio gomes »  2021-01-10  »  António Gomes

O sector dos resíduos sólidos urbanos esteve recentemente na agenda mediática devido à revolta das populações que vivem perto dos aterros onde são depositados, pois assistem à constante degradação da sua qualidade de vida.
(ler mais...)


Como serás tu, 2021? - anabela santos »  2021-01-10  »  AnabelaSantos

 

O nosso maior desejo era fechar a porta a 2020 e abrir, com toda a esperança, a janela a 2021. E assim foi. Com música, alegria, festarola e fogo de artifício, tudo com peso e medida, pois havia regras a cumprir.
(ler mais...)


2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal »  2021-01-10  »  Inês Vidal

Finalmente 2021. Depois de um ano em que mais do que vivermos, fomos meros espectadores, fantoches num autêntico teatro de sombras, com passos e passeatas manipulados por entre margens e manobras de cordelinhos, chegámos a 2021. E chegámos, como em qualquer ano novo, com vontade de mudar, de fazer planos, resoluções que acabaremos por abandonar antes do Carnaval.
(ler mais...)


2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia »  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia

O ano de 2020 não foi fácil. A pandemia desestruturou os nossos hábitos e começou a desfazer a relação tradicional que tínhamos com a vida. Introduziu a incerteza nas decisões, o medo nos comportamentos, o afastamento entre pessoas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-12-19  »  Inês Vidal Paul do Boquilobo - Inês Vidal
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia 2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia