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Maior quê?

Opinião  »  2018-05-17  »  Inês Vidal

"Rresta-nos esperar que os informáticos consigam arranjar um filtro mais eficaz, para melhor controlar o que chega às mãos de quem gere os nossos destinos."

Quando criei pela primeira vez o meu e-mail pessoal havia uma coisa que me atormentava: a quantidade de e-mails disparatados que me chegavam. Uns a felicitar-me por ter ganho carros de alta cilindrada, outros, bem mais divertidos por sinal, a perguntar se eu estaria interessada em aumentar o tamanho do meu pénis. Como o carro acabava por nunca aparecer e a resposta à outra questão parece-me óbvia, rapidamente aprendi a apagar respectivas correspondências, sem sequer ler o seu conteúdo. Muitos anos depois – e não vale a pena dizer quantos – aprendi a canalizá-los directamente para o lixo, sem ter que me cansar sequer a olhar para eles. Eu, que sou bastante info-excluída, como sabe quem bem me conhece. Fosse eu uma moça com responsabilidades com os outros que não apenas os meus, e o meu cuidado teria que ser obviamente redobrado, já que em causa não estaria apenas um bom carro ou outras coisas que tais. Talvez por isso a minha cara de parva, meio incrédula, meio deprimida, ao ler a notícia que nos fala da eventual maior aula de fitness do mundo, ali mesmo na grande praça 5 de “otobro”. O conceito só por si já é meio decadente e vale o que vale. Mas até lhe daria o benefício da dúvida. Não tivesse eu lido o e-mail “oficial” de apresentação do “projecto” à Câmara. Mesmo que tudo o resto fosse muito credível, bastava aquela apresentação, por toda a sua forma e conteúdo, para nos mostrar que dali só quereríamos distância. Perante aquilo, até o e-mail do pénis me parece agora mais sensato e sinto remorsos de o ter apagado sem lhe ter dado uma oportunidade. Esperávamos todos que os nossos autarcas fossem, em última análise, capazes de filtrar e de separar o que efectivamente interessa para Torres Novas. Não sendo, resta-nos esperar que os informáticos consigam arranjar um filtro mais eficaz, para melhor controlar o que chega às mãos de quem gere os nossos destinos.

 

 

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