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Ética

Opinião  »  2018-08-29  »  Inês Vidal

"Falar, é fácil. Dizer coisas, é um direito de todos. Mas, falar sem saber, não deveria estar ao alcance de ninguém"

As novas tecnologias e a Internet - admirável mundo este que nos leva ao outro lado do globo num segundo - vieram mudar os nossos dias, rotinas, até o tom e a forma das nossas conversas. “O meio é a mensagem”, já anunciavam há muito alguns teóricos destas coisas da comunicação. As notícias na hora, todo um mundo outrora longínquo à nossa porta, a voz dos nossos que estão longe, a sussurrar-nos ao ouvido...

Mas nem tudo é limpo neste novo mundo. Toda esta facilidade de comunicação trouxe-nos a moda das redes sociais, livro aberto das nossas vidas, o nosso melhor lado, o reflexo que queremos transmitir. Se, até há uma dúzia de anos, os líderes de opinião se cingiam às páginas de jornais e aos tempos de antena nas televisões, nos dias de hoje qualquer um tem um lugar para mostrar as suas opiniões ao mundo. Um tempo de antena próprio, que só segue quem quer.

Até aqui, tudo bem. Mas a questão traz consigo diversas outras. Enquanto a nós, jornais e jornalistas, nos é exigido – e bem - ética, respeito pelo contraditório e responsabilidade nos factos ou opiniões transmitidas, aos bloggers e actores de facebook da nossa praça, não. Escudados atrás de um écran, todos são corajosos para dizer o que querem sem apurar verdades, fontes e factos, e sem pensar que do outro lado da história – que pode não ser a errada – há pessoas e instituições que também merecem defesa. A falta de um controlo eficiente para esta facilidade de falar sem certezas, e um público sedento deste “diz que disse”, fazem do fenómeno coisa sem fim.

Falar, é fácil. Dizer coisas, é um direito de todos. Mas, falar sem saber, não deveria estar ao alcance de ninguém.

 

 

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