• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 22 Abril 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 16° / 9°
Períodos nublados com chuva fraca
Qua.
 17° / 8°
Céu nublado com chuva moderada
Ter.
 14° / 8°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  21° / 10°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Olha, a gaivota! Olha a gaivota!

Opinião  »  2018-09-01  »  Maria Augusta Torcato

"Eu bem que tinha feito muitos planos para as férias. Queria fazer de tudo um pouco: dormir muito; ler muito"

 As ideias estão ainda de férias. Se a palavra não fosse tão feia, eu até a utilizaria mais – procrastinação. Meu Deus, que palavra horrível para dizer apenas que se anda com  preguiça, sem vontade, a adiar o que tem de ser feito. Meu Deus, como eu procrastino! E como me aflijo desta aflição que a procrastinação me cria.

Então, nada melhor do que lembrar! Olha, a gaivota! E isto é diferente de “Olha a gaivota!”. Pois, foi assim que surgiu e se marcou um momento das férias.

As férias, neste ano, vieram numa altura em que, claramente, eram necessárias. Sê-lo-ão sempre, mas há anos em que as não há, há anos em que não se sente tanto a sua falta e haverá quem nunca saiba o que são férias. Haverá de tudo. Mas, as minhas, neste ano, vieram numa altura em que eu bem precisava. Precisava cortar com o espaço - físico, social e psicológico.

Assim, munida do que parecia imprescindível, lá parti (até parece que foi para muito longe, mas não!). Fui acompanhada de dois sobrinhos – ainda crianças, mas não o suficiente para darem muito trabalho e pelo menos já é possível fazer com eles boa conversa, algo de que gosto muito e tenho dificuldade de prescindir quando estou com gente. Até porque a boa conversa está cada vez mais difícil. Difícil de tudo, de encontrar, de promover, de fazer, de tudo...

Juntou-se, mais tarde, a nós a minha filha. E com ela é que são verdadeiras férias, porque me sinto amparada e parece que há uma transferência do meu peso (não literal) para ela. E ela conhece-me muito bem. É bom quando temos alguém que nos conhece assim, porque se evitam muitas perdas de tempo em entendimentos ou à procura deles. E é nessa altura que as conversas são mesmo melhores.

Eu bem que tinha feito muitos planos para as férias. Queria fazer de tudo um pouco: dormir muito; ler muito; passear muito; aproveitar bem a praia e a piscina. Mas como é que se pode fazer tanto em tão pouco tempo? Até levei comigo os livros para a minha leitura e para a leitura dos meus sobrinhos. Esta minha ideia é que deveria ter ido de férias. Um saco repleto de livros para férias! Onde é que já se viu isto? Só no tempo da Maria Cachucha. E esses tempos estão muito longe, para bem de umas coisas e para mal de outras.

“Ó tia, tem calma!”, dizia-me o rapaz que não avançava além das quinze páginas de “Ulisses”, de Maria Alberta Menéres. Pois. E ele ainda tinha mais dois para ler que eu, cheia de boas intenções, tinha levado. A rapariga tinha “O ano da morte de Ricardo Reis”, de Saramago, mas tinha de ser. Eu até levei “Jangada de Pedra”, para reler e ser solidária na leitura do autor. Mas as primeiras vinte páginas que ela leu até lá foram sem problemas, o pior foi quando a rapariga encontrou a sua professora de Português, em plena praia, que, quando soube das minhas planificações, lhe disse (e a mim também) que aquilo não se fazia...

Pronto. Assim, resolvi contar ao rapaz a história de Ulisses, a seguir veio a de Aquiles e outros heróis, uns gregos e outros troianos. O rapaz até me perguntou o que tinha a ver o Aquiles com o tendão. Ora, como se vê, até foi boa esta conversa. Foi bom contar estas histórias todas, de que eu gosto tanto, e cada vez tenho menos ouvidinhos disponíveis para as reterem. Até disse que qualquer dia lhes contaria a história de uma rapariga, heroína fantástica, que eu aprecio particularmente pela sua coragem, força e capacidade de desafiar aquilo que não considerava justo ou correto, a Antígona. Até que ouvi: “Para (leia-se pára), mãe, estamos de férias!”. (...) Isso mesmo. Fiquei em pausa. (...)  A seguir, eu, que já me havia queixado de não ter visto ainda gaivotas, voltei a ouvir: “Olha, uma gaivota! Olha a gaivota!”. Pois claro que olhei e lembrei-me logo foi do Fernão Capelo Gaivota. Mas já não me atrevi a contar a história às “crianças”! Afinal, estávamos de férias!

 

 

 Outras notícias - Opinião


Sondagens, Marcelo, Anos Sessenta e Notre-Dame »  2019-04-20  »  Jorge Carreira Maia

AS SONDAGENS E AS FAMÍLIAS. As sondagens reflectem já o desgaste que os socialistas estão a sofrer devido à trapalhada em que se meteram com as ligações familiares na governação.
(ler mais...)


O porco »  2019-04-20  »  Inês Vidal

Sentei-me no café a tentar escrever este “vinte”. Erro. A ideia que trazia, rapidamente se confundiu com a voz que esganiçada me ecoava repetidamente ao ouvido, vinda de uma televisão em altos berros, a história do terror – muito terror – de um jovem, um homem e um cão.
(ler mais...)


A FALTA DE ÉTICA QUE ANDA POR AÍ »  2019-04-20  »  João Lérias

Com os recentes casos das nomeações de pais e filhas, maridos e mulheres, primos e sei lá que mais, o país parece ter acordado para uma nova realidade que, não sendo nova, desta vez, sobretudo pela sua dimensão, é censurável.
(ler mais...)


A vitória do Chile »  2019-04-20  »  José Ricardo Costa

Torres Novas é uma terra cheia de ruínas, o que dá uma enorme tristeza e uma espécie de infelicidade urbana para a qual não conheço palavra. Ruínas não deveriam ser onde vivem pessoas mas em Pompeia, castelos na Escócia, abadias em Inglaterra ou anfiteatros na Grécia, onde apenas vivem fantasmas pacificamente misturados com turistas que chegam e logo partem.
(ler mais...)


A transparência das águas »  2019-04-20  »  António Gomes

Neste novo ano entrou em vigor um novo tarifário: pode-se mesmo dizer um novo e radical tarifário da empresa “Águas do Ribatejo”. A Águas do Ribatejo é uma empresa pública detida a 100% por 7 municípios do Ribatejo e que tem vindo a reerguer os sistemas de abastecimento de água e de saneamento que se encontravam na generalidade dos casos em péssimas condições.
(ler mais...)


Amor, vamos dar um tempo »  2019-04-20  »  Ana Sentieiro

Puberdade, temo que interpretes as minhas palavras de modo leviano, mas penso que chegámos àquele momento da relação em que já não faz sentido continuar. Desculpa, não tenciono desvalorizar o teu impacto em mim ou na minha vida nestes últimos anos que tivemos juntos, aliás, qualquer pessoa perceberia, ao olhar para a minha cara, iluminada por um tímido sorriso, que a tua presença era constante, quase como se fossemos um só.
(ler mais...)


Legislativas, Rui Rio, Refundações e Turquia »  2019-04-06  »  Jorge Carreira Maia

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS. Ainda há que passar pelas eleições para o Parlamento Europeu, mas o acto político decisivo só chega com as legislativas. Aquilo que até aqui parecia inevitável, uma vitória com maioria relativa do PS e uma derrota da direita, não estará completamente seguro.
(ler mais...)


A família socialista, a democracia comunista, a transferência centrista e o terrorismo »  2019-03-23  »  Jorge Carreira Maia

A FAMÍLIA SOCIALISTA. O governo parece um lugar de convívio de famílias amigas. Não bastava já haver um casal de ministros e um ministro pai e uma ministra filha desse pai, agora a mulher de um outro ministro foi nomeada chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, cargo ocupado anteriormente pelo marido.
(ler mais...)


Como dantes não se falava, também não se dava por ela. »  2019-03-22  »  José Ricardo Costa


Qualquer pessoa normal é contra a violência doméstica. Acontece que não gosto da expressão “violência doméstica”, demasiado sociológica, urbana, abstracta, mera etiqueta que não faz jus ao tipo de aberração que pretende traduzir.
(ler mais...)


O Nhonhinhas »  2019-03-22  »  Miguel Sentieiro

A nonhinhisse como fenómeno social surgiu para nos pôr à prova. Entrou nas nossas vidas sem se dar por isso, mas percebemos o efeito corrosivo que tem no nosso bem estar. Um indivíduo coloca-se na fila de uma repartição comercial.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-03-23  »  Jorge Carreira Maia A família socialista, a democracia comunista, a transferência centrista e o terrorismo
»  2019-04-06  »  Jorge Carreira Maia Legislativas, Rui Rio, Refundações e Turquia
»  2019-04-20  »  Jorge Carreira Maia Sondagens, Marcelo, Anos Sessenta e Notre-Dame
»  2019-04-20  »  José Ricardo Costa A vitória do Chile
»  2019-04-20  »  António Gomes A transparência das águas