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Peixes e pombos ou a civilização a andar para trás - joão carlos lopes

Opinião  »  2021-03-23  »  João Carlos Lopes

Dir-se-ia, de uma câmara socialista, esperar que se perseguissem os valores e ideais que aqui e ali, somados, vão concorrendo para um mundo melhor e para uma relação mais harmoniosa e avançada entre todos e tudo o que habita uma casa comum que é o território natural de um pequeno concelho. Em que o paradigma do “humano”, herança da secular cegueira antropocêntrica, seja ultrapassado para podermos olhar do lado de fora e nos vermos diante das circunstâncias que não são apenas nossas, mas comuns a tudo o que nos rodeia.

Se, à escala global, é difícil acabar com as guerras e a indústria militar, com os exércitos-brinquedos de generais e políticos, ditadores e democráticos, com as agressões entre povos, com a exploração de animais ou com a devastação dos recursos planetários, é precisamente numa pequena escala que podem e devem ser dados pequenos passos nesse sentido, porque esses passos dependem da nossa soberania.

Não podemos, mesmo na nossa “casa”, proibir touradas, para já, mas podemos impedir a construção de praças e até a licença de corridas.  Não podemos proibir a pesca de recreio (de recreio para os humanos, é claro) ou actividades recreativas baseadas na utilização de animais, como a columbofilia ou outras, nos moldes em que elas ainda são legais. Mas, uma coisa é proibir, outra é não incentivar, não apoiar, não ajudar a mantê-las. E é isso que devemos fazer, sem tibiezas.

Passou despercebida, há uns meses, a informação de que a câmara tencionava instalar a “tão ansiada” pista internacional de pesca no troço urbano do rio Almonda. Não se sabe de onde e de quando vem tal anseio. Não se esperava era que fosse a câmara a querer assassinar as margens urbanas do rio com a ridícula parafernália de apoio a uma actividade que se reduz ao recreio e deleite de humanos com a captura de animais, num espectáculo degradante e inútil. Não se pode proibir tal “pesca”, em todo o lado, mas pode-se e deve-se impedir e proibir que seja feita dentro da cidade, afastando tal prática dos olhares de quem aqui está e passa.

O apoio camarário a uma actividade recreativa (para os humanos, claro) baseada na utilização de animais para comércio e deleite individual (não, não é desportiva, quem faz o “desporto” são os pombos e o desporto é uma actividade humana) vai contra tudo o que de mais elevado já é matriz do pensamento das novas gerações. E, verificando-se que o apoio é a maior fatia das verbas concedidas para a “cultura”, trata-se de uma afronta à cultura, à inteligência, à humanidade que caminha com os olhos num outro futuro.

Claro está, no caso em apreço, nada há a dizer sobre as instituições e colectividades em causa: limitaram-se a concorrer a subsídios, ao abrigo das regras e vão receber aquilo que lhes foi atribuído. Fizeram o seu papel. Os poderes públicos é que não fazem o seu: um sistema que não hierarquiza, com os seus filtros e parâmetros, o que é actividades culturais, criação artística, recreio, viagens ou festarolas, não cumpre a sua função. Não, não é tudo a mesma coisa: um filme ou uma peça de teatro, o recreio com pombos ou captura de peixes, uma corrida de cavalos ou o tiro aos patos. Não é a mesma coisa apoiar uma filarmónica e uma batida às lebres, uma orquestra e um grupo de forcados. Na lógica da câmara de Torres Novas, é.

Num caso (da pista de pesca no troço urbano da cidade, uma medonha alucinação), a oposição, à esquerda e à direita, calou-se. No outro, no apoio às verbas para a actividade columbófila, a oposição, à esquerda e à direita, foi conivente. Votou a favor. Por mero tacitismo e conveniência. Para a oposição, à esquerda e à direita, há “vacas sagradas”, poderes que nunca se afrontam, instituições que nunca se beliscam. Porque amanhã há eleições e teme-se a retaliação na hora do voto. Critica-se por trás, comentam-se as maiores “escandaleiras” que “toda a gente sabe”, mas não se pode falar nisso. Não se toca nas “nossas colectividades”, essa ficção que um dia vai cair-nos em cima da cabeça.

O “associativismo”, “a riqueza do nosso associativismo”, mitos de adornam os discursos à esquerda e à direita, do poder e da oposição, são esse tabu que teima em ser quebrado pela lógica do politicamente correcto, como se tudo fosse o melhor dos mundos, a excelência e a competência. Notícias levemente exageradas: basta ir a outras terras, sair daqui, para levarmos um banho de realidade.

Aliás, de um lado e de outro, nunca ninguém teve a coragem de dizer uma palavra sobre a trajectória suicida de um sector específico do afamado associativismo torrejano, que se tem auto-destruído em sucessivas e imparáveis dissidências e dissenções, conflitos e desavenças, birras e embirrações, que ameaçam fazer de Torres Novas uma terra em que há-de haver um clube para cada rua. No mínimo.

 

 

 

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