• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Domingo, 19 Janeiro 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 13° / 6°
Céu nublado
Ter.
 14° / 4°
Períodos nublados
Seg.
 11° / 5°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  16° / 6°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Como dantes não se falava, também não se dava por ela.

Opinião  »  2019-03-22  »  José Ricardo Costa


Qualquer pessoa normal é contra a violência doméstica. Acontece que não gosto da expressão “violência doméstica”, demasiado sociológica, urbana, abstracta, mera etiqueta que não faz jus ao tipo de aberração que pretende traduzir.

Um homem que bate na mulher não é um homem violento: é um ogre com um cérebro reptiliano, uma besta quadrada, troglodita, brutamontes, grunho, alarve, javardo, bronco, cão raivoso, labrego, jagunço, cavalgadura, matarruano, monte de esterco humano, o que tudo somado dá um irrecomendável psicopata do qual nada se aproveita.
O grande jornalista Karl Kraus, que viveu em Viena num dos períodos culturalmente mais férteis da Europa, dizia que a linguagem é a mãe do pensamento, não a sua criada. Por isso temos de passar a chamar os verdadeiros nomes às coisas, evitando chavões que repetidos à exaustão nos jornais televisões, redes sociais, vão perdendo o seu significado.

É verdade que foi um passo importante ter-se passado a falar de violência doméstica. Como dantes não se falava, também não se dava por ela. Claro que não era por não se falar que deixava de existir, tendo razão o historiador francês Lucien Febvre que considerava que as coisas existem antes das palavras para elas serem inventadas. Mas o que acontecia era os homens darem e as mulheres apanharem, que não é violência doméstica mas apenas um homem a dar e a mulher a apanhar. Hoje, uma mulher que apanha diz-se vítima de violência doméstica mas quando a avó ou mãe apanharam do avô ou do pai, não se diziam vítimas de violência doméstica, apenas apanhavam ou levavam de um homem com “mau feitio”, “maus fígados”, “mau vinho”, com o qual casaram. Passar a dizer “violência doméstica” foi assim um passo civilizacional importante para perceber que um homem “a dar na mulher” é muito mais do que um homem “a dar na mulher”.

Mas ainda está longe de traduzir a realidade. Eu gosto de expressões antigas como “enxerto de porrada” ou “carga de cachaporra”, para neste caso me referir um homem que, um dia, de sorriso nos lábios, jurou amor eterno a uma jovem com um raminho de flores na mão. São expressões vernáculas que, infelizmente, estão a cair em desuso, consideradas demasiado grosseiras para os depurados padrões linguísticos de agora. Mas aí é que está! Sendo, de facto, expressões grosseiras, traduzem muito melhor do que qualquer etiqueta sociológica, o mais primário e grosseiro dos comportamentos. A besta, o ogre, até pode ser bom benfiquista e sentar-se a meu lado no Estádio da Luz. Mas a partir do momento em que chega a casa para dar cachaporra ou porrada, sejam ou não fúteis os seus motivos, deixa de fazer parte da espécie à qual pertenço, devendo o seu destino não ser a prisão mas o jardim zoológico para fazer companhia a animais cuja agressividade, todavia, está em perfeita consonância com a sua natureza selvagem.
Bater, bate leve, levemente, a neve, como quem chama por nós. O que um homem faz à mulher não é bater mas dar porrada ou cachaporra, palavras que baixam ao nível de quem a dá, envergonhando a espécie humana. Por isso, deixemos de falar em violências domésticas, chamando de uma vez por todas os bois pelos nomes: matarruanos que se comprazem a dar cachaporra ou valentes cargas de porrada nas mulheres só porque não se limitam a ser umas bonequinhas insufláveis que não respondem à vontade, necessidades e desejos do ogre de olhos vidrados e baba de ódio a escorrer pela boca. Para além de primário e grosseiro, animal mais fraco, inseguro, sem personalidade e dignidade é difícil conceber.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O discurso do rancor »  2020-01-10  »  Jorge Carreira Maia

Vivemos num país cordato e seguro, onde a violência é diminuta e o respeito pelos outros é significativo. Somos, ao mesmo tempo, medianamente ricos e medianamente pobres e, ao longo destes anos de democracia, temos sabido resolver os problemas com que nos deparámos.
(ler mais...)


As ciclovias e o debate público »  2020-01-09  »  João Quaresma

No último mês de Dezembro, em duas reuniões de câmara sucessivas, discutiu-se o programa base de uma rede de ciclovias para a cidade de Torres Novas, com cerca de 24 Km na sua totalidade, a construir por fases, bem como uma dessas fases na zona da Quinta da Silvã, com cerca de 6 Km, que será a primeira a ser realizada.
(ler mais...)


Saída de Emergência (uma crónica em atraso), por Maria Augusta Torcato »  2020-01-09  »  Maria Augusta Torcato

Madrugada. Janeiro, dia 4. De 2019.

O comboio deslizava nas linhas com o seu ritmo sereno, como se não tivesse pressa ou tivesse de respeitar passagem ou não quisesse, com brusquidão, ferir o ferro.
Há muito que não andava de comboio.
(ler mais...)


CONSIDERAÇÕES A PROPÓSITO DO BREXIT »  2020-01-09  »  José Alves Pereira

As eleições realizadas a 12 de Dezembro passado estão, tal como a situação na Grã-Bretanha, envoltas em tantas contradições que alinhavar comentários, com alguma linearidade e coerência, não é tarefa fácil.
(ler mais...)


O medo »  2020-01-09  »  António Gomes

Temos vindo a assistir, com alguma insistência por parte do presidente da câmara municipal de Torres Novas, ao anúncio da sua candidatura nas próximas eleições autárquicas. Devido à insistência, até parece que o presidente anda obcecado com tal objectivo.
(ler mais...)


A imprensa »  2020-01-09  »  Anabela Santos

Feliz Natal, boas festas, bom ano, foram os votos das últimas semanas do mês de Dezembro. Em ambiente de festa, de partilha e de solidariedade, cumpriu-se mais uma época festiva que iniciou lá para meados do mês e terminou no dia 1 de Janeiro.
(ler mais...)


Brio »  2020-01-09  »  Rui Anastácio


“Um café bem tirado e com bons modos.”
Fiquei com esta frase na cabeça. Foi dita em tom brincalhão por uma Senhora septuagenária, algures num quiosque à beira mar plantado. Uma forma simples e simpática de pedir competência e brio profissional.
(ler mais...)


Ano novo, Torres “Novas”? »  2020-01-09  »  Ana Lúcia Cláudio

Cada início de ano é, frequentemente, marcado pelo balanço das coisas que não fizemos nos 365 dias anteriores e que, consequentemente, se transformam, agora, em projectos para o novo ano. Nos primeiros dias de Janeiro, todos os anos se repete o mesmo ritual.
(ler mais...)


Serviços públicos, superavit, sistemas eleitorais e vergonha »  2019-12-20  »  Jorge Carreira Maia

DEGRADAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS. Existe a ideia de que a degradação dos serviços públicos se resolveria com uma melhor gestão. Qualquer partido a defende desde que esteja na oposição.
(ler mais...)


O PDM e a sua revisão »  2019-12-20  »  António Gomes

Parece que é desta. Ao fim de dezoito anos, o processo de revisão do PDM de Torres Novas dá sinais. Foi preciso o governo ameaçar com cortes nas receitas às autarquias que não completarem a revisão deste importante instrumento de ordenamento do território em 2020, para se iniciar tão importante tarefa.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-01-09  »  Maria Augusta Torcato Saída de Emergência (uma crónica em atraso), por Maria Augusta Torcato
»  2019-12-20  »  Jorge Carreira Maia Serviços públicos, superavit, sistemas eleitorais e vergonha
»  2020-01-09  »  António Gomes O medo
»  2020-01-09  »  Rui Anastácio Brio
»  2020-01-09  »  Ana Lúcia Cláudio Ano novo, Torres “Novas”?