Deus 2.0
Opinião
» 2017-11-29
» José Ricardo Costa
"Ao pensar nas minhas discussões liceais sobre a existência de Deus, entre imperiais e tremoços no café Portugal ..."
O problema da existência de Deus foi, até ao século XIX, tema incontornável da Filosofia, não havendo filósofo que não metesse a sua colherada nem que fosse para deitar veneno. Depois, quase recebeu a extrema-unção. Resistiram as diversas artes com grandes obras sobre a felicidade ou angústia de um mundo com ou sem Deus, mas foi sobretudo na agenda ideológica que se manteve mais animado, sendo Deus amigo ou inimigo conforme a cartilha política republicana, monárquica, integralista, fascista, anarco-sindicalista, comunista, socialista, democrata-cristã, católica progressista, sem esquecer a Carbonária que, antes de Al Gore, era o CO2 da igreja.
E não faltavam jovens católicos com avassaladoras crises de fé, sobretudo após leituras de obras como O Drama de Jean Barois, ou pelo triste e cruel espectáculo de um mundo incompatível com a ideia de um Deus misericordioso mas que mais parecia um surdo-mudo incapaz de comunicar por linguagem gestual. No final do século ainda houve alguma animação com manifestações à porta de cinemas por motivos religiosos, embora como reacção popular a uma imagem heterodoxa de Cristo ou Maria e não pela existência de Deus no seu mais sofisticado e perfumado sentido filosófico ou teológico.
Ao pensar agora nas minhas inflamadas discussões liceais sobre a existência de Deus, entre imperiais e tremoços no café Portugal ou entre imperiais e queijinhos amanteigados no Zé da Ana, combustadas pelas fervorosas jacobinices de um niilista russo do século XIX, vejo todo um mundo que se finou. O problema é hoje tão estimulante para um jovem como uma máquina de fazer gelo para um esquimó. Ao introduzi-lo nas aulas, na esperança de estimular alguma adrenalina mental, via alunos anestesiados com a mesma dose de abulia que os levaria a sacar do telemóvel perante um discurso parlamentar de Jorge Lacão sobre a reforma do Estado num programa a preto e branco ainda do tempo do Eládio Clímaco, na RTP Memória. Contrariamente a fait-divers cómicos sobre a Coreia do Norte, a existência de Deus não chega sequer a ser um problema desinteressante mas apenas um não-problema.
Mas consegui um bom truque culinário para inverter a situação: um modernaço e gourmet molho conceptual. Jogando com os conceitos de causalidade e acaso, exorto os garotos a imaginarem Deus como um super-hiper-mega-giga computador cósmico cuja base de dados contém tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá no universo. Enfim, uma espertalhona versão high-tech da clássica e mais humilde noção de “omnisciência”. Nada que faça lembrar pais, filhos ou espíritos santos, conversa de catequese ou missa dominical, apenas e só um super-hiper-mega-giga computador cósmico, toma e embrulha! Vejo então caras limpas das vacuidades do Facebook e de vídeos estúpidos do Youtube e, agora sim, sinto pensamentos fervilhando dentro das cabeças com tão cool sugestão. Entretanto, eles discutem e eu já não me sinto o melancólico espectro de um niilista russo do século XIX que arrumava a existência de Deus na classe dos opiáceos e outras drogas duras. Sinto-me vivo e filosoficamente titilante e, graças a Deus, já desintoxicado dos não menos duros opiáceos contrários.
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Deus 2.0
Opinião
» 2017-11-29
» José Ricardo Costa
Ao pensar nas minhas discussões liceais sobre a existência de Deus, entre imperiais e tremoços no café Portugal ...
O problema da existência de Deus foi, até ao século XIX, tema incontornável da Filosofia, não havendo filósofo que não metesse a sua colherada nem que fosse para deitar veneno. Depois, quase recebeu a extrema-unção. Resistiram as diversas artes com grandes obras sobre a felicidade ou angústia de um mundo com ou sem Deus, mas foi sobretudo na agenda ideológica que se manteve mais animado, sendo Deus amigo ou inimigo conforme a cartilha política republicana, monárquica, integralista, fascista, anarco-sindicalista, comunista, socialista, democrata-cristã, católica progressista, sem esquecer a Carbonária que, antes de Al Gore, era o CO2 da igreja.
E não faltavam jovens católicos com avassaladoras crises de fé, sobretudo após leituras de obras como O Drama de Jean Barois, ou pelo triste e cruel espectáculo de um mundo incompatível com a ideia de um Deus misericordioso mas que mais parecia um surdo-mudo incapaz de comunicar por linguagem gestual. No final do século ainda houve alguma animação com manifestações à porta de cinemas por motivos religiosos, embora como reacção popular a uma imagem heterodoxa de Cristo ou Maria e não pela existência de Deus no seu mais sofisticado e perfumado sentido filosófico ou teológico.
Ao pensar agora nas minhas inflamadas discussões liceais sobre a existência de Deus, entre imperiais e tremoços no café Portugal ou entre imperiais e queijinhos amanteigados no Zé da Ana, combustadas pelas fervorosas jacobinices de um niilista russo do século XIX, vejo todo um mundo que se finou. O problema é hoje tão estimulante para um jovem como uma máquina de fazer gelo para um esquimó. Ao introduzi-lo nas aulas, na esperança de estimular alguma adrenalina mental, via alunos anestesiados com a mesma dose de abulia que os levaria a sacar do telemóvel perante um discurso parlamentar de Jorge Lacão sobre a reforma do Estado num programa a preto e branco ainda do tempo do Eládio Clímaco, na RTP Memória. Contrariamente a fait-divers cómicos sobre a Coreia do Norte, a existência de Deus não chega sequer a ser um problema desinteressante mas apenas um não-problema.
Mas consegui um bom truque culinário para inverter a situação: um modernaço e gourmet molho conceptual. Jogando com os conceitos de causalidade e acaso, exorto os garotos a imaginarem Deus como um super-hiper-mega-giga computador cósmico cuja base de dados contém tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá no universo. Enfim, uma espertalhona versão high-tech da clássica e mais humilde noção de “omnisciência”. Nada que faça lembrar pais, filhos ou espíritos santos, conversa de catequese ou missa dominical, apenas e só um super-hiper-mega-giga computador cósmico, toma e embrulha! Vejo então caras limpas das vacuidades do Facebook e de vídeos estúpidos do Youtube e, agora sim, sinto pensamentos fervilhando dentro das cabeças com tão cool sugestão. Entretanto, eles discutem e eu já não me sinto o melancólico espectro de um niilista russo do século XIX que arrumava a existência de Deus na classe dos opiáceos e outras drogas duras. Sinto-me vivo e filosoficamente titilante e, graças a Deus, já desintoxicado dos não menos duros opiáceos contrários.
Brasil, China, Entre-os-Rios e Novo Banco
» 2019-03-09
» Jorge Carreira Maia
1. A DOENÇA DO BRASIL. Apesar de sermos latinos e de permitirmos coisas inaceitáveis nos países do centro e do norte da Europa, ainda é difícil para os portugueses compreender a doença que ataca com virulência inusitada o Brasil. |
Remodelação, Bloco, Greves e Exames
» 2019-02-22
» Jorge Carreira Maia
1. REMODELAÇÃO DO GOVERNO. A importância da remodelação do governo ocorrida no início da semana é, do ponto de vista da orientação política, tendencialmente nula. |
Mulher
» 2019-02-21
» Margarida Oliveira
Se é adquirido que com o 25 de Abril de 1974, as mulheres alcançaram o reconhecimento dos seus direitos mais fundamentais, exigindo a igualdade na vida, entre mulheres e homens, certo é, que fora o que seria obrigatório conceder, com o objectivo de serenar os ânimos reivindicativos femininos, praticamente tudo continua por fazer. |
Em suma, não se fotografa o que se come, come-se para fotografar.
» 2019-02-21
» José Ricardo Costa
Por estranho que pareça, houve um tempo em que se ia ao restaurante sobretudo para comer. Sim, também para conviver, comemorar, fazer negócios, mas sempre com o prazer da boa mesa como alvo. Nós, portugueses, para além de comer adoramos falar sobre o que comemos, nem que seja para lembrar, com a expressão lúbrica do lobo dos desenhos animados, o maravilhoso cabrito com grelos que comemos há 20 anos. |
Aero… coisa, mas muito séria
» 2019-02-21
» António Gomes
A noticia teve origem na informação prestada em reunião de câmara pelo vice-presidente da mesma: aeroporto internacional, 4 Kms de pista, 160 voos/dia, 200 milhões de investimento, etc.. E foi apresentada com pompa e circunstância, uma grande mais valia para Torres Novas e arredores. |
Opções
» 2019-02-21
» Anabela Santos
E de repente, quando somos agradavelmente surpreendidos por um montante razoável em euros de que não estávamos à espera, a reação é de espanto e de alegria. Faz falta, é sempre bem vindo. A partir do momento em que recebemos tão agradável notícia, impõe-se um pensamento … o que fazer com todo o dinheiro recebido? |
Para quê tanto vermelho?
» 2019-02-21
» Ana Sentieiro
O Dia de São Valentim é, à semelhança do Carnaval, do Dia da Mulher, do Dia da Aproximação do Pi ou do próprio Dia do Pi, uma celebração à qual não foi atribuída o estatuto de feriado e, como tal, não é respeitada no agregado de festividades. |
Beija o chão e abraça a humilhação
» 2019-02-15
» Ana Sentieiro
Olá! O meu nome é Ana, mas podes tratar-me por “caloira” num tom agressivo e um tanto incomodativo ou, se preferires, “besta”, acompanhado com “Enche vinte!” entoado de um modo pouco sugestivo. |
Caixa, Marcelo, Venezuela e Papa
» 2019-02-08
» Jorge Carreira Maia
1. CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS. O que se tem vindo a saber da Caixa Geral de Depósitos dá razão aos que, na União Europeia, julgam ser necessário impor uma espécie de protectorado aos países do sul da Europa. |
Lisboetas?
» 2019-02-07
» Inês Vidal
Tento fazer este exercício: o que é que as pessoas que não conhecem Torres Novas ficaram a saber sobre o nosso concelho, depois de lerem o artigo publicitário disfarçado de reportagem, que saiu no sábado numa alegada revista, de um honrado semanário nacional? Ora bem. |
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» 2019-02-22
» Jorge Carreira Maia
Remodelação, Bloco, Greves e Exames |
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» 2019-02-21
» Anabela Santos
Opções |
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» 2019-02-21
» António Gomes
Aero… coisa, mas muito séria |
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» 2019-02-21
» José Ricardo Costa
Em suma, não se fotografa o que se come, come-se para fotografar. |
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» 2019-02-21
» Margarida Oliveira
Mulher |