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Por este rio

Opinião  »  2018-01-18  »  João Carlos Lopes

"O rio Tejo é um corpo moribundo e abandonado"

O Rio Tejo (o vale do Tejo, a linha do Tejo, o território adjacente, o percurso português do Tejo) é porventura o recurso natural e o pedaço de território nacional potencialmente mais rico que temos, dada a diversidade dos seus elementos constitutivos: paisagísticos, pedológicos, agrários e agrícolas, hidrográficos, etnográficos, etc.

Foi sempre a maior estrada de água peninsular, referência para a grande via romana, depois rota dos vapores que abasteciam o sul, a seguir levou a linha férrea à ilharga, ainda as estradas que rasgam o país para norte e este. Não há memória ou exemplo de um país desbaratar e desconsiderar, desta maneira, tão valioso recurso, que seria estruturante, sim, é caso em que se pode utilizar o chavão, num cenário de valorização dos recursos de dimensão e importância estratégica nacional.

Mas não: o rio Tejo é um corpo moribundo e abandonado, sem políticas, sequer, de regularização de caudais, uma coisa estranha que nos passa à porta e que olhamos de soslaio. Uma das causas reside na inexistência de uma qualquer configuração de escala regional (o velho Ribatejo ou distrito de Santarém, grosso modo), que tome para si, colectivamente, alevantar tão precioso património: transformá-lo num enorme plano de água em que convivam a agricultura a as actividades económicas rurais, o turismo, os desportos náuticos, as modalidades de competição e de lazer, o transporte fluvial, a fruição da paisagem como recurso: a economia, estúpidos! – é caso para dizer.

Temos o ouro à soleira da porta. Unir ribatejos pode ser um passo essencial para acordarmos.

 

 

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