• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quinta, 23 Maio 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Dom.
 31° / 15°
Céu limpo
Sáb.
 29° / 14°
Céu limpo
Sex.
 26° / 12°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  26° / 12°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O Derbi

Opinião  »  2017-12-13  »  José Ricardo Costa

"Por esta altura já o quintal do José Maria se metamorfoseara em estádio cuja olímpica dimensão fazia inveja a muito campo da 1ª divisão"

No dia em que os meus pais casaram era de jogo no Almonda Parque. Despachado o almoço da praxe, foram então os noivos, alegremente seguidos pelos engalanados convidados, rumo ao também chamado quintal do José Maria. O meu pai podia não ser doente do esférico mas era homem de suas rotinas, sendo domingo de futebol uma delas. Fazia sentido. No lânguido quotidiano de uma vila onde pouco acontecia, sem televisão, sem carro e sem shoppings, o futebol dominical era o safanão perfeito no ramerrame semanal, nem que fosse para chamar, com filosófico espírito crítico e descargo de opiladas consciências, filho da puta ao fiscal de linha ou cabeça de Vila Franca ao árbitro.

A ser assim, e num mundo que acabava na Barreira Alva e ainda sem bandeiras nacionais à janela pela selecção, apenas colchas em dia de procissão ou de Américo Thomaz, a devoção ao clube da terra tinha uma importância quase totémica, a qual ainda serve para explicar a importância, anos depois, de grandes dérbies como Torres Novas-U.Tomar ou, já mais tarde, Torres Novas-Riachense. Clássicos em que a exaltação dos ânimos (e por vezes dos corpos), tinha uma dimensão agónica, como aconteceu na cínica espera, em plena ágora riachense, da comitiva torrejana que regressava de Marinhais, onde se jogava a subida de divisão, mas em condição oposta à dos gregos vindos de Tróia.

Por esta altura já o quintal do José Maria se metamorfoseara em estádio cuja olímpica dimensão fazia inveja a muito campo da 1ª divisão. Mas o mundo haveria de se metamorfosear ainda mais, tornando cada vez mais anémico o devoto sentimento pelas paroquiais disputas do esférico, relegando o vaidoso estádio, não obstante o entretanto já verde esplendor da relva, para uma pelada insignificância. Uma imprensa desportiva diária mas, sobretudo, uma televisão que, em tempos de Alves dos Santos e Nuno Brás, só dava direito a dominicais resumos antes da meditação e do hino pátrio, tornou o futebol, nacional e europeu, jogado e não jogado, tão familiar como a telenovela diária, com os seus heróis e vilões, num mundo já tornado aldeia global. Hoje já não se é só do Benfica, Sporting ou Porto mas, de Torres Novas à Indonésia, e de camisola vestida Made in China, do Chelsea, Manchester ou Real Madrid, os quais jogadores deixaram de ser mitos para passarem a ser apenas ídolos com pés e brincos de ouro que seguimos diariamente no Facebook, Instagram ou Twitter, com entusiasmado fastio.

A exportação lusitana também teve o seu papel neste processo de vestir cores que não apenas as vermelhas e verdes dos matraquilhos. O PSG de Humberto Coelho ou o Salamanca de João Alves foram só um primeiro sinal dos actuais júbilos com o United de Mourinho, o Monaco de Jardim e João Coutinho, o Watford de Marco Silva, o Lille de Edgar Ié ou o Dortmund de Guerreiro. E hoje os verdadeiros derbies, para além dos nacionais do costume, são um City-United ou um Barcelona-Real Madrid para ver em directo na Sport TV. Um Torres Novas-Riachense, esse, passou a ser apenas um Torres Novas-Riachense numa relva cujo esplendor, como diria Wordsworth, está para sempre afastado do nosso olhar.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Crise, Professores, Brexit e Venezuela »  2019-05-11  »  Jorge Carreira Maia

1. CRISE POLÍTICA. A questão da contagem do tempo de serviço congelado dos professores foi uma bênção caída do céu para os socialistas. Deu-lhes oportunidade de se mostrarem responsáveis, e mostrou uma oposição de direita desorientada, perdida entre o eleitoralismo puro e duro e, quando confrontada com a reacção de António Costa, em recuo humilhante perante a opinião pública.
(ler mais...)


Sondagens, Marcelo, Anos Sessenta e Notre-Dame »  2019-04-20  »  Jorge Carreira Maia

AS SONDAGENS E AS FAMÍLIAS. As sondagens reflectem já o desgaste que os socialistas estão a sofrer devido à trapalhada em que se meteram com as ligações familiares na governação.
(ler mais...)


O porco »  2019-04-20  »  Inês Vidal

Sentei-me no café a tentar escrever este “vinte”. Erro. A ideia que trazia, rapidamente se confundiu com a voz que esganiçada me ecoava repetidamente ao ouvido, vinda de uma televisão em altos berros, a história do terror – muito terror – de um jovem, um homem e um cão.
(ler mais...)


A FALTA DE ÉTICA QUE ANDA POR AÍ »  2019-04-20  »  João Lérias

Com os recentes casos das nomeações de pais e filhas, maridos e mulheres, primos e sei lá que mais, o país parece ter acordado para uma nova realidade que, não sendo nova, desta vez, sobretudo pela sua dimensão, é censurável.
(ler mais...)


A vitória do Chile »  2019-04-20  »  José Ricardo Costa

Torres Novas é uma terra cheia de ruínas, o que dá uma enorme tristeza e uma espécie de infelicidade urbana para a qual não conheço palavra. Ruínas não deveriam ser onde vivem pessoas mas em Pompeia, castelos na Escócia, abadias em Inglaterra ou anfiteatros na Grécia, onde apenas vivem fantasmas pacificamente misturados com turistas que chegam e logo partem.
(ler mais...)


A transparência das águas »  2019-04-20  »  António Gomes

Neste novo ano entrou em vigor um novo tarifário: pode-se mesmo dizer um novo e radical tarifário da empresa “Águas do Ribatejo”. A Águas do Ribatejo é uma empresa pública detida a 100% por 7 municípios do Ribatejo e que tem vindo a reerguer os sistemas de abastecimento de água e de saneamento que se encontravam na generalidade dos casos em péssimas condições.
(ler mais...)


Amor, vamos dar um tempo »  2019-04-20  »  Ana Sentieiro

Puberdade, temo que interpretes as minhas palavras de modo leviano, mas penso que chegámos àquele momento da relação em que já não faz sentido continuar. Desculpa, não tenciono desvalorizar o teu impacto em mim ou na minha vida nestes últimos anos que tivemos juntos, aliás, qualquer pessoa perceberia, ao olhar para a minha cara, iluminada por um tímido sorriso, que a tua presença era constante, quase como se fossemos um só.
(ler mais...)


Legislativas, Rui Rio, Refundações e Turquia »  2019-04-06  »  Jorge Carreira Maia

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS. Ainda há que passar pelas eleições para o Parlamento Europeu, mas o acto político decisivo só chega com as legislativas. Aquilo que até aqui parecia inevitável, uma vitória com maioria relativa do PS e uma derrota da direita, não estará completamente seguro.
(ler mais...)


A família socialista, a democracia comunista, a transferência centrista e o terrorismo »  2019-03-23  »  Jorge Carreira Maia

A FAMÍLIA SOCIALISTA. O governo parece um lugar de convívio de famílias amigas. Não bastava já haver um casal de ministros e um ministro pai e uma ministra filha desse pai, agora a mulher de um outro ministro foi nomeada chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, cargo ocupado anteriormente pelo marido.
(ler mais...)


Como dantes não se falava, também não se dava por ela. »  2019-03-22  »  José Ricardo Costa


Qualquer pessoa normal é contra a violência doméstica. Acontece que não gosto da expressão “violência doméstica”, demasiado sociológica, urbana, abstracta, mera etiqueta que não faz jus ao tipo de aberração que pretende traduzir.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-05-11  »  Jorge Carreira Maia Crise, Professores, Brexit e Venezuela