Mar vermelho
Opinião
» 2015-04-24
» Adelino Pires
Percebia-se bem porquê. Não tendo sido o nosso mar, o mar de Vasco da Gama ou do Infante Dom Henrique, o mar dos grandes feitos dos navegadores portugueses, nessa altura, dizia eu, havia que promover o que era nosso. Vai daí, viva o Atlântico, porque o que é nacional é bom e nada melhor que a promoção da Rota das Índias, Atlântico por aí abaixo, direitinho ao Bojador que vou ali e já venho. O Mediterrâneo, esse, foi sempre mar doutro campeonato. Entalado entre o sul da Europa, o norte de África e a Ásia Ocidental, lá foi, durante séculos, disputado por muitos, pirateado por outros tantos, mas sempre alvo de muita cobiça geoestratégica, como agora se diz.
Particularmente após a abertura do canal do Suez em 1869, unindo-o ao Mar Vermelho e permitindo assim encurtar significativamente as distâncias por mar, entre o Ocidente e a Índia e o Extremo Oriente, o cobiçado Mediterrâneo, passou a ter uma importância redobrada. Que o diga o cotovelo britânico apoiado em Gibraltar, mirando todo aquela massa de água até Beirute. Nesse tempo, o mar vermelho era outro, entre África e a península arábica. Era o mar de Moisés.
Mas o que temos assistido nos últimos tempos troca as voltas à geografia e bem podia trocar os nomes aos mares.
Porque hoje, vermelho é o Mediterrâneo.
Do sangue dos milhares de corpos que por lá jazem. Da côr da vergonha de um mundo dito civilizado, incapaz de perceber, prevenir e evitar a crónica de milhares de mortes anunciadas.
E se, no passado, o Suez conseguiu encurtar as distâncias, hoje, uma simples e bem mais curta travessia de Sul para Norte, revela-se longa demais e impossível de cumprir, dada a impotência das Instituições e das elites internacionais.
Para estas, não há canais que as una, nem bom senso que as aproxime.
Talvez também por isso, hoje, vermelho é o Mediterrâneo.
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Mar vermelho
Opinião
» 2015-04-24
» Adelino Pires
Percebia-se bem porquê. Não tendo sido o nosso mar, o mar de Vasco da Gama ou do Infante Dom Henrique, o mar dos grandes feitos dos navegadores portugueses, nessa altura, dizia eu, havia que promover o que era nosso. Vai daí, viva o Atlântico, porque o que é nacional é bom e nada melhor que a promoção da Rota das Índias, Atlântico por aí abaixo, direitinho ao Bojador que vou ali e já venho. O Mediterrâneo, esse, foi sempre mar doutro campeonato. Entalado entre o sul da Europa, o norte de África e a Ásia Ocidental, lá foi, durante séculos, disputado por muitos, pirateado por outros tantos, mas sempre alvo de muita cobiça geoestratégica, como agora se diz.
Particularmente após a abertura do canal do Suez em 1869, unindo-o ao Mar Vermelho e permitindo assim encurtar significativamente as distâncias por mar, entre o Ocidente e a Índia e o Extremo Oriente, o cobiçado Mediterrâneo, passou a ter uma importância redobrada. Que o diga o cotovelo britânico apoiado em Gibraltar, mirando todo aquela massa de água até Beirute. Nesse tempo, o mar vermelho era outro, entre África e a península arábica. Era o mar de Moisés.
Mas o que temos assistido nos últimos tempos troca as voltas à geografia e bem podia trocar os nomes aos mares.
Porque hoje, vermelho é o Mediterrâneo.
Do sangue dos milhares de corpos que por lá jazem. Da côr da vergonha de um mundo dito civilizado, incapaz de perceber, prevenir e evitar a crónica de milhares de mortes anunciadas.
E se, no passado, o Suez conseguiu encurtar as distâncias, hoje, uma simples e bem mais curta travessia de Sul para Norte, revela-se longa demais e impossível de cumprir, dada a impotência das Instituições e das elites internacionais.
Para estas, não há canais que as una, nem bom senso que as aproxime.
Talvez também por isso, hoje, vermelho é o Mediterrâneo.
Painéis fotovoltaicos da Renova: e um bocadinho de interesse municipal agora ao contrário? - joão carlos lopes
» 2025-12-10
Na recente reunião do executivo municipal em que foi debatida a questão dos painéis fotovoltaicos da Renova, o presidente da Câmara, José Trincão Marques, recordou o seu papel assertivo, então enquanto presidente da assembleia municipal, na polémica sobre o acesso à nascente do rio Almonda, que foi tema recorrente nestas páginas nos anos 2020/2023. |
Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos
» 2025-12-05
Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques. |
Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia
» 2025-12-05
» Jorge Carreira Maia
As próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura). |
Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos
» 2025-11-22
» António Mário Santos
Ainda não assentou a poeira do espanto e da tristeza das eleições municipais e já a boataria fervilha nas redes sociais. Da reunião mal-esclarecida entre o recém presidente José Manuel Trincão Marques e o líder da oposição Tiago Ferreira, encontra-se uma descrição em O Mirante, que informa que este último quis fumar o cachimbo de paz com o presidente socialista, desde que este lhe cedesse três lugares a tempo inteiro na vereação, e a vice-presidência do executivo. |
Sal e azar - carlos paiva
» 2025-11-22
» Carlos Paiva
A geração de transição, a última a sacrificar a sua vida à ditadura, a que entregou a melhor fase da capacidade produtiva à guerra, à realidade do analfabetismo, iliteracia, mortalidade infantil ao nível do Terceiro Mundo (faziam-se dez filhos para sobreviverem dois), agricultura de subsistência, escravidão fabril, feudalismo empresarial e que concebeu os seus filhos pouco antes da queda do fascismo, está a desaparecer. |
Manuel Ribeiro (1878-1941) - jorge carreira maia
» 2025-11-22
» Jorge Carreira Maia
Como em todas as literaturas, também na portuguesa existe um cânone. No romance, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Agustina Bessa-Luís ou José Saramago pertencem, de forma permanente, ao cânone. Outras entrarão e sairão dele em conformidade com os humores do dia. |
É só fazer as contas - antónio gomes
» 2025-11-09
» António Gomes
Os resultados eleitorais são de todos conhecidos, assim como os vencedores e os vencidos. A democracia que dizem alguns, está doente e corre o risco de entrar em coma ditou para o concelho de Torres Novas o fim da maioria absoluta do PS, embora conservando a presidência da câmara por uma unha negra, tal como há 32 anos atrás, pouco mais de 80 votos. |
As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos
» 2025-11-09
» António Mário Santos
«o sectarismo, a característica mais tóxica da esquerda portuguesa, tem destas coisas. Leva quem não se olha ao espelho a ignorar o mundo ou, pior, a fingir que as dificuldades estão na casa do lado» - Francisco Louçã, Público, 3 de Novembro A esquerda portuguesa está em crise. |
Da evolução das espécies - carlos paiva
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns. |
Os três salazares - jorge carreira maia
» 2025-11-09
PRIMEIRO SALAZAR. Foi um ditador cinzento e manhoso. Tinha a virtude de odiar políticos histriónicos e espalhafatosos. Esse ódio virtuoso, porém, era acompanhado por outros ódios nada virtuosos. Odiava, antes de tudo, a liberdade. |