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Quim

Opinião  »  2019-01-28  »  Inês Vidal

"Foi um dos meus mestres, meu professor, meu mentor. Foi meu prontuário, meu Google, meu livro de estilo. Sabia tudo, sobre tudo, falava de tudo."

Sempre me poupou aos textos difíceis, mas deixou-me o pior de todos: este. Licenciei-me em jornalismo não sei bem porquê. A minha primeira escolha era filosofia. Também não sei bem porquê. Acho que a convivência com o professor Eduardo Bento me levou a isso, na altura. Cheguei ao Jornal Torrejano em 2002, com as minhas all star vermelhas calçadas, ainda sem saber muito bem ao certo se queria ser jornalista e muito menos como sê-lo. Tive a sorte, que muitos não tiveram, de entrar na verdadeira escola. Entre Lopes, descobri como ser jornalista e, melhor, que era isso que queria ser. Joaquim da Silva Lopes era, à data, director do JT. O meu director, ainda hoje director, para sempre meu director.

Ao dia de hoje, todos esperam de mim um texto bonito, quase poético, que sublinhe todas as verdadeiras qualidades de Joaquim da Silva Lopes. Quim, para mim. Todos esperam isso de mim, menos ele, tenho a certeza. Se bem o conheço, de mim esperaria um texto verdadeiro e de preferência cheio de pormenores. Essa é uma das coisas que me lembro sempre que penso no Quim. Gostava de textos com muitos pormenores. Ensinou-me que são os pequenos detalhes que fazem uma história grande. E eu, em cada texto que escrevo, continuo a ouvi-lo dizê-lo em voz baixa. E faço-o o mais possível. Não por ele, mas porque foi assim que me ensinou.

Claro que é difícil não elogiar o Quim ao escrever um texto sobre ele. Foi um dos meus mestres, meu professor, meu mentor. Foi meu prontuário, meu Google, meu livro de estilo. Sabia tudo, sobre tudo, falava de tudo. Foi um olhar paciente nas minhas crises de menina ainda crente na ética e num mundo perfeito. Ajudou-me a lidar com as emoções geradas por um mundo em que a informação isenta nem sempre é bem-vinda. Foi a calma quando o mundo parecia desabar, a palavra certa, dita da forma certa, na hora certa. Foi, acima de tudo, um amigo. 

Mas também, e talvez por tudo isso, o odeio um bocadinho neste momento. Odeio-o um bocadinho porque deixou de ser meu director e me privou de continuar a aprender com ele ao longo dos últimos onze anos. Odeio-o um bocadinho porque morreu e porque, ao morrer, privou tantas outras pessoas de aprender com ele tanto como eu, a Fátima Coelho, o Nuno Matos, a Flávia e tantos outros jornalistas verdinhos que passaram por esta casa, tiveram o privilégio de aprender. E odeio-o um bocadinho por me obrigar a escrever este texto agora.

Estas palavras não fazem jus a tudo o que o Quim merecia que fosse escrito neste momento. Não tenho distanciamento ou arte suficientes para escrever algo digno do que significou na minha vida e na vida de tantas outras pessoas com quem se cruzou e inevitavelmente influenciou. Pode ser que daqui a uns dias consiga fazê-lo melhor, sem tanta emoção e mais razão.

O Quim gostava de pormenores. Achava que faziam de uma mera história, uma grande história. Espero que em todos os pormenores da sua vida, ela tenha sido enorme.

Até sempre, director!

 

 

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