• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 25 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 17° / 9°
Céu nublado
Qua.
 20° / 10°
Céu nublado
Ter.
 19° / 13°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  17° / 11°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Quim

Opinião  »  2019-01-28  »  Inês Vidal

"Foi um dos meus mestres, meu professor, meu mentor. Foi meu prontuário, meu Google, meu livro de estilo. Sabia tudo, sobre tudo, falava de tudo."

Sempre me poupou aos textos difíceis, mas deixou-me o pior de todos: este. Licenciei-me em jornalismo não sei bem porquê. A minha primeira escolha era filosofia. Também não sei bem porquê. Acho que a convivência com o professor Eduardo Bento me levou a isso, na altura. Cheguei ao Jornal Torrejano em 2002, com as minhas all star vermelhas calçadas, ainda sem saber muito bem ao certo se queria ser jornalista e muito menos como sê-lo. Tive a sorte, que muitos não tiveram, de entrar na verdadeira escola. Entre Lopes, descobri como ser jornalista e, melhor, que era isso que queria ser. Joaquim da Silva Lopes era, à data, director do JT. O meu director, ainda hoje director, para sempre meu director.

Ao dia de hoje, todos esperam de mim um texto bonito, quase poético, que sublinhe todas as verdadeiras qualidades de Joaquim da Silva Lopes. Quim, para mim. Todos esperam isso de mim, menos ele, tenho a certeza. Se bem o conheço, de mim esperaria um texto verdadeiro e de preferência cheio de pormenores. Essa é uma das coisas que me lembro sempre que penso no Quim. Gostava de textos com muitos pormenores. Ensinou-me que são os pequenos detalhes que fazem uma história grande. E eu, em cada texto que escrevo, continuo a ouvi-lo dizê-lo em voz baixa. E faço-o o mais possível. Não por ele, mas porque foi assim que me ensinou.

Claro que é difícil não elogiar o Quim ao escrever um texto sobre ele. Foi um dos meus mestres, meu professor, meu mentor. Foi meu prontuário, meu Google, meu livro de estilo. Sabia tudo, sobre tudo, falava de tudo. Foi um olhar paciente nas minhas crises de menina ainda crente na ética e num mundo perfeito. Ajudou-me a lidar com as emoções geradas por um mundo em que a informação isenta nem sempre é bem-vinda. Foi a calma quando o mundo parecia desabar, a palavra certa, dita da forma certa, na hora certa. Foi, acima de tudo, um amigo. 

Mas também, e talvez por tudo isso, o odeio um bocadinho neste momento. Odeio-o um bocadinho porque deixou de ser meu director e me privou de continuar a aprender com ele ao longo dos últimos onze anos. Odeio-o um bocadinho porque morreu e porque, ao morrer, privou tantas outras pessoas de aprender com ele tanto como eu, a Fátima Coelho, o Nuno Matos, a Flávia e tantos outros jornalistas verdinhos que passaram por esta casa, tiveram o privilégio de aprender. E odeio-o um bocadinho por me obrigar a escrever este texto agora.

Estas palavras não fazem jus a tudo o que o Quim merecia que fosse escrito neste momento. Não tenho distanciamento ou arte suficientes para escrever algo digno do que significou na minha vida e na vida de tantas outras pessoas com quem se cruzou e inevitavelmente influenciou. Pode ser que daqui a uns dias consiga fazê-lo melhor, sem tanta emoção e mais razão.

O Quim gostava de pormenores. Achava que faziam de uma mera história, uma grande história. Espero que em todos os pormenores da sua vida, ela tenha sido enorme.

Até sempre, director!

 

 

 Outras notícias - Opinião


MEMÓRIAS DE UM TEMPO OPERÁRIO - josé alves pereira »  2021-01-23  »  José Alves Pereira

Em meados da década de 60 do século passado, ainda o centro da então vila de Torres Novas pulsava ao ritmo das fábricas. Percorrendo-a, víamos também trabalhadores de pequenas oficinas e vários mesteres.
(ler mais...)


Eleições à porta e a abstenção à espreita - antónio gomes »  2021-01-23  »  António Gomes

Votar é decidir, não votar é deixar a decisão que nos cabe nas mãos de outros. Uma verdade, tantas vezes repetida. No entanto, a abstenção tem mantido uma tendência ascendente nos vários actos eleitorais.
(ler mais...)


Funambulista - rui anastácio »  2021-01-23  »  Rui Anastácio

O funambulismo é uma arte circense que consiste em equilibrar-se, caminhando, saltando ou fazendo acrobacias sobre uma corda bamba ou um cabo metálico, esticados entre dois pontos de apoio. Ao funambulista cabe a difícil tarefa de chegar ao segundo ponto de apoio sem partir o pescoço.
(ler mais...)


Os velhos e os fracos - jorge carreira maia »  2021-01-23  »  Jorge Carreira Maia

 

É plausível afirmar que o corpo político, ao contrário do que aconteceu na primeira vaga da pandemia, não tem estado feliz na actual situação. Refiro-me ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro e aos dirigentes das várias oposições.
(ler mais...)


Veni vidi vici - carlos paiva »  2021-01-23  »  Carlos Paiva

 

- Ó querida, sou tão bom. Mas tão bom que até vais trepar pelas paredes.

- Ai sim? E como é que vais conseguir tal proeza?

- Ora… Isso agora é cá comigo. Eu é que sei.
(ler mais...)


Eu voto, mas não gosto do rumo que isto leva - inês vidal »  2021-01-23  »  Inês Vidal

Sinto que estou sempre a dizer o mesmo, que os meus textos são repetições cíclicas dos mesmos assuntos e que estes são, só por si, repetições cíclicas e enfadonhas deles próprios.
(ler mais...)


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-23  »  Inês Vidal Eu voto, mas não gosto do rumo que isto leva - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  José Ricardo Costa A Pilhagem - josé ricardo costa