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Apedeuta, insipiente, mentecapto, néscio - carlos paiva

Opinião  »  2021-09-16  »  Carlos Paiva

"A estes indivíduos perdoamos que usurpem trabalho e património alheio, perdoamos que insultem os seus constituintes, perdoamos a falta de carácter e a incompetência"

Por altura do lançamento do programa “Novas Oportunidades” (em 2007), recordo-me de ver uma entrevista na televisão em que a jornalista na rua perguntava a um cidadão jovem se ele achava importante estudar. Respondeu qualquer coisa como: “Sim, é bastante importante. Com estudos, podemos chegar longe. Até, quem sabe um dia, ser funcionário público”.

Hoje, a percentagem de analfabetismo ronda os 5%. Um dos piores números da Europa. Considerando que ali por volta da revolução de Abril, a taxa de analfabetos em Portugal estava algures entre os 25 e os 30%, ou seja, para mais de um quarto dos portugueses, quem sabia ler e escrever, era doutor. Quem era doutor, estava próximo de divindade. E acima disso, só o senhor padre. Os horizontes tão estreitos do fulano entrevistado, são o reflexo, o ripple effect, do número de analfabetos e iletrados que teimam em se fazer sentir acentuadamente no século 21. Olhando para o enquadramento social, percebemos que a formação académica, só por si, não introduz valores e princípios à construção do individuo. Como é tão vulgar ouvir: Isso tem de vir de casa. É berço.

As disciplinas de “Religião e Moral”, agora substituídas pelas polémicas disciplinas de “Cidadania”, foram remendos prenhes de bafios que tresandavam e ainda tresandam a engenharia social. Inúteis no sentido da solução, portanto. Em muitos casos, estas aspirações à terra prometida do funcionalismo público foram concretizadas. São facilmente identificáveis pelas posturas e comportamentos anti-éticos, alguns episódios de aproveitamento, outros de incompetência, desaguando tudo isto em redes de interesses e favorezinhos, enquanto assobiam para o lado fingindo que corrupção é outra coisa qualquer, totalmente diferente.

Somos todos coniventes no jogo do lodo. Uma das vias possíveis para minimizar esta realidade seria uma estruturação de carreira, com salários decentes, numa mecânica por objetivos e reconhecimento por mérito. Em conversa entre amigos, abordámos um tema algo semelhante nalgumas áreas do desporto. Resultou em certa medida. Atenuou injustiças e desmotivou ganâncias. Comparando unicamente pelo prisma financeiro, o patamar salarial de um presidente de câmara está ao mesmo nível de um cargo de direcção numa pequena-média empresa. Descendo na pirâmide, torna-se evidente o porquê das permeabilidades. Horizontes estreitos, fracas competências, falta de estímulo na vida profissional, ingredientes para a disfuncionalidade institucional que fomos amestrados a tolerar, a aceitar como normal até.

A estes indivíduos perdoamos que usurpem trabalho e património alheio, perdoamos que insultem os seus constituintes, perdoamos a falta de carácter e a incompetência. Porque somos sensíveis ao seu calvário. Coitadinhos. É perfeitamente natural que estes indivíduos procurem uma segunda ocupação para pôr pão na mesa, ou até mesmo só como colete de salvação para a sua sanidade mental. Um complemento relacionado com a necessidade e não com a ambição. Olhando para o boom das empresas imobiliárias, não me espantava de os ver a vender uns apartamentozinhos, por exemplo.

 


A estes indivíduos perdoamos que usurpem trabalho e património alheio, perdoamos que insultem os seus constituintes, perdoamos a falta de carácter e a incompetência.

 

 

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