• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 18 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 16° / 10°
Céu nublado com chuva fraca
Qua.
 16° / 10°
Céu nublado com chuva moderada
Ter.
 14° / 1°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  14° / 2°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Torres Novas: um centro sem luz - inês vidal

Opinião  »  2020-08-19  »  Inês Vidal

"Quando se avança pela cidade, para além dos limites da calçada portuguesa que tão bem nos recebe, a visão pode ser bem mais dura"

Torres Novas tinha tudo para ser um bonito postal ilustrado. Do castelo altaneiro, que olha de cima a praça pintada de roxo dos jacarandás, ao rio que o circunda, ao jardim que envolve o centro histórico... Quem vem pela primeira vez, se tiver a sorte de dormitar toda a viagem e abrir os olhos apenas quando curva o topo da rua de Nun’Álvares, cruzando-se em primeiro lugar com a Praça 5 de Outubro, fica, sem dúvida, bem impressionado. Imagina-se, assim, num daqueles bem cuidados centros espanhóis, numa terra com orgulho pelas suas curvas, pelas suas calçadas, pela sua história.

Quando a sua incursão avança pela cidade, para além dos limites da calçada portuguesa que tão bem o recebe, a visão pode ser bem mais dura. E aquela Torres Novas romântica que o castelo, lá no alto, nos oferece, perde o lirismo dos filmes italianos e leva-nos ao coração do cenário de um filme sérvio.

Como qualquer centro que se sente ao abandono, sem gente, sem oferta que atraia, este vai deixando entrar quem não é bem-vindo noutros mundos, quem se move nas sombras, quem não se sente intimidado pelos escombros, antes se funde neles, tornando-se difícil descodificar onde começa um e termina os outros, distinguir quem se contaminou a quem.

Quando miúda, lembro-me de um centro assim, com vielas e ruelas propícias a acolher quem não queria ser visto. A palavra espalhava-se rápido e atrás de uns vinham outros, caras novas, já velhas do trato. Todos sabiam, todos viam, ninguém combatia. Uma geração marcada e magoada. Uma cidade à medida para todos eles, com as respostas que achavam procurar.

Pelo caminho, a cidade ganhou mais céu, mais luz e as ruas e becos do centro ficaram mais amplos, mais visíveis, com menos recantos escondidos. Fruto de uma atenção maior à cidade ou de uma geração que se seguiu, mais desperta para os perigos e sem ilusões de vidas melhores oferecidas numa viagem, a verdade é que vieram dias mais luminosos em Torres Novas.

Mas desengane-se quem pensa que esses dias dormem no passado. O centro da nossa cidade voltou a ser palco atractivo para quem não quer atrair atenções. É um novo ciclo, a repetição de um outro. Uma outra geração, novas caras, vindas não se sabe de onde. As mesmas marcas, os mesmos desejos, os mesmos fantasmas, à procura do que todos sabemos bem.

De novo, todo um centro que se adapta. Ou desiste. Novos medos, novos cuidados. Não bastava já um centro em ruínas, feio em seu redor, que só por si repelia quem até gostaria de entrar. Junta-se agora uma população que assusta quem não conhece, que faz temer, afugenta.

Não sei de onde parte a solução. Se de uma nova mudança de mentalidades, que achávamos já capaz de resistir a uma intempérie destas, se de políticas autárquicas que tragam de novo luz ao centro da cidade. Uma luz sem sombras, daquela que nos pinta a esperança nos mesmos tons de roxo dos jacarandás.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)


Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia »  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia

A sondagem da Aximage, para o DN/JN/TSF, referente ao mês de Dezembro, dá ao CDS uns miseráveis 0,3%. Os partidos também morrem e o CDS está moribundo. Teve um importante papel na transição à democracia e, também, na vida democrática institucionalizada.
(ler mais...)


Coltur… Quoltur… Coultur… Hábito - carlos paiva »  2021-01-10  »  Carlos Paiva

A arte pode dividir-se em dois grandes grupos. A arte comercial e a arte não comercial. A não comercial, por se reger pela criatividade, originalidade, inovação, profundidade, talento e virtuosismo, acaba por ser a produtora de matéria-prima para a arte comercial, regida essa pelas leis de mercado.
(ler mais...)


Resíduos urbanos - antónio gomes »  2021-01-10  »  António Gomes

O sector dos resíduos sólidos urbanos esteve recentemente na agenda mediática devido à revolta das populações que vivem perto dos aterros onde são depositados, pois assistem à constante degradação da sua qualidade de vida.
(ler mais...)


Como serás tu, 2021? - anabela santos »  2021-01-10  »  AnabelaSantos

 

O nosso maior desejo era fechar a porta a 2020 e abrir, com toda a esperança, a janela a 2021. E assim foi. Com música, alegria, festarola e fogo de artifício, tudo com peso e medida, pois havia regras a cumprir.
(ler mais...)


2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal »  2021-01-10  »  Inês Vidal

Finalmente 2021. Depois de um ano em que mais do que vivermos, fomos meros espectadores, fantoches num autêntico teatro de sombras, com passos e passeatas manipulados por entre margens e manobras de cordelinhos, chegámos a 2021. E chegámos, como em qualquer ano novo, com vontade de mudar, de fazer planos, resoluções que acabaremos por abandonar antes do Carnaval.
(ler mais...)


2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia »  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia

O ano de 2020 não foi fácil. A pandemia desestruturou os nossos hábitos e começou a desfazer a relação tradicional que tínhamos com a vida. Introduziu a incerteza nas decisões, o medo nos comportamentos, o afastamento entre pessoas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-12-19  »  Inês Vidal Paul do Boquilobo - Inês Vidal
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia 2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia