• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Sábado, 23 de Junho de 2018
Pesquisar...
Ter.
 27° / 15°
Céu limpo
Seg.
 27° / 18°
Céu nublado
Dom.
 32° / 17°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  33° / 19°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

DOUTOR, TRAGA-ME GIZ, POR FAVOR

Opinião  »  2015-08-28  »  José Ricardo Costa

"As escolas precisam de ser limpas e alguém tem de as limpar. Se essa pessoa tiver uma licenciatura em vez de ser a pessoa humilde e semi-analfabeta de outro tempo, tanto melhor"

Num daqueles felizes momentos em que não era fácil perceber se estava sóbrio ou bêbedo, dizia Winston Churchill que o capitalismo representa uma desigual distribuição da riqueza, enquanto o socialismo representa a igual distribuição da miséria, dito espirituoso que até um filósofo de esquerda como John Rawls seria capaz de subscrever. E se este não via a igualdade como um fim em si mesmo e que deve ser alcançado incondicionalmente, isso também está longe de ver a desigualdade como um fim em si mesmo. Há filósofos que não se sentem particularmente chocados com a desigualdade. Mas não existem fanáticos da desigualdade, obcecados em procurar a desigualdade como outros procuram a igualdade nem que para isso se matem, exilem ou espoliem milhões de pessoas.


Filósofos políticos e morais de raiz anglo-saxónica como Michael Oakeshott, Karl Popper, Isaiah Berlin, John Kekes ou Bernard Williams não são fanáticos da desigualdade. Preferem antes aceitar uma ordem natural e espontânea das coisas que, não sendo perfeita nem nada que se pareça, tende a ser corrigida através do tempo e não de uma vez só como acontece por via radical e revolucionária. Daí a sua raivinha de estimação face a um racionalismo planificador que pretende promover artificialmente, através de um processo de engenharia social, uma igualdade que está muito longe da nossa natureza intrinsecamente imperfeita. O que até faz algum sentido pois mostra a experiência que se morreu mais da cura do que do mal nas poucas vezes em que se tentou criar uma sociedade perfeita, projectada em gabinetes filosóficos com o mesmo rigor técnico e racional com que engenheiros projectam uma ponte perfeita. Os resultados foram catastróficos, sobretudo para os mais desfavorecidos que, nessas sociedades, é quase toda a gente, sendo os quadros dirigentes do Partido as mais desonrosas excepções.


É com base nesta perspectiva que podemos ler uma notícia como esta. Claro que um pessimista vai dizer que as coisas estão tão más que um licenciado já é obrigado a andar a limpar uma escola. Um optimista, por sua vez, dirá que as coisas evoluíram de tal modo que as pessoas que limpam as escolas já não são as humildes e semi-analfabetas de outros tempos mas licenciados com uma dignidade social que merece ser valorizada.


Convém deitar alguma água na fervura deste Benfica/Sporting e dizer, como George Eliot, que mais do que ser pessimista ou optimista, é preferível ser melhorista. Ora, convém questionar se estamos mesmo perante um caso de "melhorismo". Sim e não. Não, porque ninguém que faz uma licenciatura tem como projecto de vida andar a fazer limpeza numa escola. Mas também é verdade que as escolas precisam de ser limpas e alguém tem de as limpar. Se essa pessoa tiver uma licenciatura em vez de ser a pessoa humilde e semi-analfabeta de outro tempo, tanto melhor. Ora, no microcosmos social que é uma escola e na sociedade em geral, essa nova hierarquia, distante de outras passadas, faz toda a diferença. Já não estamos perante um cenário em que há uns e os outros. Doutores e engenheiros de um lado, humildes e semi-analfabetos do outro. Somos todos doutores e engenheiros, cenário que não desagradaria aos próprios Marx e Lenine, implicando isso uma nova ordem social. Os salários são diferentes, sim, mas o estatuto social dos mais desfavorecidos não é o mesmo estatuto dos seus pais e avós.

 
Estamos longe da igualdade perfeita mas, se virmos bem, é nas imperfeitíssimas democracias liberais que os níveis de igualdade social são mais elevados e onde as classes mais desfavorecidas acabam por ser mais favorecidas, graças à riqueza tornada possível pela própria desigualdade. Portugal, sendo um país pobre, estupidamente desigual e cheio de tiques do Antigo Regime anterior à Revolução Liberal do século XIX, não é exemplo para ninguém. Mas mais vale ser um licenciado a fazer limpeza numa escola sueca, alemã, holandesa ou dinamarquesa, do que ser médico ou engenheiro nos países que se gabavam de promover a igualdade, acabando por vir dar serventia e trabalhar  na agricultura nos países onde existe uma desigual distribuição da riqueza sem que isso provoque qualquer tipo de orgulho.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Dias difíceis »  2018-06-22  »  Jorge Carreira Maia

A situação política está mais confusa do que parece. Só há um dado claro e inequívoco. Exceptuando os socialistas, todos os actores agem com o objectivo de evitar que o PS obtenha maioria absoluta nas próximas legislativas.
(ler mais...)


Aloé Vera, a planta milagrosa »  2018-06-21  »  Juvenal Silva

Aloé Vera, também conhecida por planta do milagres pelos médicos da antiguidade, é uma planta medicinal cujo uso tem sido intensificado ao longo dos séculos e, nas últimas décadas, tem sido motivo de interesse de pesquisas, com vários estudos científicos na aplicação de uma grande variedade de doenças e com grande destaque nas doenças oncológicas.
(ler mais...)


Cumpre-se a tradição »  2018-06-21  »  Anabela Santos

Junho, mês dos santos populares… António, Pedro e João.
Santo António, conhecido por Santo António de Lisboa, o santo que pregou aos peixes, o Santo casamenteiro, não é exclusivo da nossa capital e não é de Pádua.
(ler mais...)


A água »  2018-06-21  »  António Gomes

É de todos conhecida a escassez de água doce existente no planeta. Em Portugal, o ano de 2017 foi particularmente avisador para toda a gente: lembramos bem o transporte de água de umas regiões para outras e os condicionalismos impostos ao seu consumo (jardins, rotundas, etc).
(ler mais...)


O governo e os professores »  2018-06-07  »  Jorge Carreira Maia

O que terá levado o ministro da Educação a afirmar que, perante a posição dos sindicatos, o governo, que tinha prometido recuperar quase três anos do tempo em que as carreiras dos professores estiveram congeladas, não contará qualquer tempo para a progressão docente? O ministro pode achar que é uma estratégia brilhante para enfrentar os sindicatos, mas não percebeu como ela é humilhante para os professores, que se sentem tratados como crianças que são castigadas por um ministro a quem, na verdade, não reconhecem qualquer autoridade política ou educativa.
(ler mais...)


Torres Novas está lá dentro »  2018-06-06  »  Carlos Tomé

Casa Espanhol, uma das três lojas mais antigas de Torres Novas, fechou as suas portas no passado dia 30 de Maio. Torres Novas nunca mais será a mesma terra. Com este encerramento encerra-se uma determinada forma de estar na vida, a generosidade e a inteligência de conseguir estar quase 80 anos à frente de um estabelecimento comercial que marcou indelevelmente a vida da cidade.
(ler mais...)


As Claques »  2018-06-06  »  José Ricardo Costa

Há quatro anos, naquela derradeira fase em que cada jogo é uma final, fui a Aveiro ver o Benfica-Arouca. Indo inocentemente para trás de uma baliza acabei engolido por uma ubérrima claque encarnada transformada num grupo de ménades em pleno desvario, que, apesar do meu cachecol também encarnado, fizeram-me sentir tão em casa como a atravessar o cruzamento de Shibuya em hora de ponta.
(ler mais...)


Empurrar com a barriga »  2018-06-06  »  António Gomes

O edifício dos “Lourenços”, ocupado há 14 anos pela câmara, vai ser adquirido pelo município (390 mil euros). A ocupação do edificio foi acordada por um período de 18 meses, em 2004, sem hipóteses de renovação.
(ler mais...)


A medicina na idade antiga e as plantas medicinais »  2018-06-06  »  Juvenal Silva

A medicina sempre foi considerada uma arte sagrada e era ensinada nos templos. O diagnóstico da doença estava associado ao pecado, e o paciente era isolado para evitar a contaminação a outras pessoas, tanto físicas como espirituais e psicológicas.
(ler mais...)


Espanhol »  2018-06-06  »  Inês Vidal

A minha filha pedia-me hoje que a ajudasse a escolher um local e uma figura da nossa terra. Procurava uma resposta para um trabalho de estudo do meio. Lembrei-me do castelo, por conhecer o seu gosto pela história dos reis e rainhas de Portugal, mas quanto às figuras, andámos por ali as duas a deambular entre várias hipóteses, mas nenhum que nos arrebatasse de uma só vez.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-06-22  »  Jorge Carreira Maia Dias difíceis
»  2018-06-21  »  Juvenal Silva Aloé Vera, a planta milagrosa
»  2018-06-21  »  Anabela Santos Cumpre-se a tradição