• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Quinta, 20 de Setembro de 2018
Pesquisar...
Dom.
 36° / 21°
Céu limpo
Sáb.
 36° / 16°
Períodos nublados
Sex.
 31° / 16°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  31° / 17°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

DOUTOR, TRAGA-ME GIZ, POR FAVOR

Opinião  »  2015-08-28  »  José Ricardo Costa

"As escolas precisam de ser limpas e alguém tem de as limpar. Se essa pessoa tiver uma licenciatura em vez de ser a pessoa humilde e semi-analfabeta de outro tempo, tanto melhor"

Num daqueles felizes momentos em que não era fácil perceber se estava sóbrio ou bêbedo, dizia Winston Churchill que o capitalismo representa uma desigual distribuição da riqueza, enquanto o socialismo representa a igual distribuição da miséria, dito espirituoso que até um filósofo de esquerda como John Rawls seria capaz de subscrever. E se este não via a igualdade como um fim em si mesmo e que deve ser alcançado incondicionalmente, isso também está longe de ver a desigualdade como um fim em si mesmo. Há filósofos que não se sentem particularmente chocados com a desigualdade. Mas não existem fanáticos da desigualdade, obcecados em procurar a desigualdade como outros procuram a igualdade nem que para isso se matem, exilem ou espoliem milhões de pessoas.


Filósofos políticos e morais de raiz anglo-saxónica como Michael Oakeshott, Karl Popper, Isaiah Berlin, John Kekes ou Bernard Williams não são fanáticos da desigualdade. Preferem antes aceitar uma ordem natural e espontânea das coisas que, não sendo perfeita nem nada que se pareça, tende a ser corrigida através do tempo e não de uma vez só como acontece por via radical e revolucionária. Daí a sua raivinha de estimação face a um racionalismo planificador que pretende promover artificialmente, através de um processo de engenharia social, uma igualdade que está muito longe da nossa natureza intrinsecamente imperfeita. O que até faz algum sentido pois mostra a experiência que se morreu mais da cura do que do mal nas poucas vezes em que se tentou criar uma sociedade perfeita, projectada em gabinetes filosóficos com o mesmo rigor técnico e racional com que engenheiros projectam uma ponte perfeita. Os resultados foram catastróficos, sobretudo para os mais desfavorecidos que, nessas sociedades, é quase toda a gente, sendo os quadros dirigentes do Partido as mais desonrosas excepções.


É com base nesta perspectiva que podemos ler uma notícia como esta. Claro que um pessimista vai dizer que as coisas estão tão más que um licenciado já é obrigado a andar a limpar uma escola. Um optimista, por sua vez, dirá que as coisas evoluíram de tal modo que as pessoas que limpam as escolas já não são as humildes e semi-analfabetas de outros tempos mas licenciados com uma dignidade social que merece ser valorizada.


Convém deitar alguma água na fervura deste Benfica/Sporting e dizer, como George Eliot, que mais do que ser pessimista ou optimista, é preferível ser melhorista. Ora, convém questionar se estamos mesmo perante um caso de "melhorismo". Sim e não. Não, porque ninguém que faz uma licenciatura tem como projecto de vida andar a fazer limpeza numa escola. Mas também é verdade que as escolas precisam de ser limpas e alguém tem de as limpar. Se essa pessoa tiver uma licenciatura em vez de ser a pessoa humilde e semi-analfabeta de outro tempo, tanto melhor. Ora, no microcosmos social que é uma escola e na sociedade em geral, essa nova hierarquia, distante de outras passadas, faz toda a diferença. Já não estamos perante um cenário em que há uns e os outros. Doutores e engenheiros de um lado, humildes e semi-analfabetos do outro. Somos todos doutores e engenheiros, cenário que não desagradaria aos próprios Marx e Lenine, implicando isso uma nova ordem social. Os salários são diferentes, sim, mas o estatuto social dos mais desfavorecidos não é o mesmo estatuto dos seus pais e avós.

 
Estamos longe da igualdade perfeita mas, se virmos bem, é nas imperfeitíssimas democracias liberais que os níveis de igualdade social são mais elevados e onde as classes mais desfavorecidas acabam por ser mais favorecidas, graças à riqueza tornada possível pela própria desigualdade. Portugal, sendo um país pobre, estupidamente desigual e cheio de tiques do Antigo Regime anterior à Revolução Liberal do século XIX, não é exemplo para ninguém. Mas mais vale ser um licenciado a fazer limpeza numa escola sueca, alemã, holandesa ou dinamarquesa, do que ser médico ou engenheiro nos países que se gabavam de promover a igualdade, acabando por vir dar serventia e trabalhar  na agricultura nos países onde existe uma desigual distribuição da riqueza sem que isso provoque qualquer tipo de orgulho.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O quarto milagre de Fátima »  2018-09-13  »  Jorge Carreira Maia

O começo do ano lectivo é marcado pela generalização de uma nova reforma do sistema educativo. A ideia que está na base de mais uma aventura na educação portuguesa prende-se com a convicção da actual equipa do Ministério da Educação de que o trabalho realizado pelo professorado está globalmente desadequado às exigências do século XXI.
(ler mais...)


Poesia nos posters »  2018-09-12  »  José Mota Pereira

Eu não entendia. Nem poderia entender (aos seis, sete, oito anos de idade) o alcance daquelas palavras. Mas havia naqueles dois posters um magnetismo, uma espécie de magia que me prendiam às palavras que deles saltavam para os meus olhos.
(ler mais...)


Rentrée »  2018-09-12  »  Anabela Santos

O mês de Agosto já passou, acabaram as férias, o verão vai deixar-nos e aproxima-se o Outono.

Chegou Setembro, o mês do(s) recomeço(s). Na minha opinião, seria a altura de abrirmos uma garrafa de champanhe, de fazer um brinde à nova época, um brinde à vida.
(ler mais...)


Ansiedade: uma doença da sociedade moderna »  2018-09-12  »  Juvenal Silva

O que é a ansiedade?

A ansiedade é uma emoção causada por uma ameaça observada ou experimentada e, que o organismo utiliza como mecanismo para reagir de forma saudável às pressões da vida ou até a situações de perigo.
(ler mais...)


Olha, a gaivota! Olha a gaivota! »  2018-09-01  »  Maria Augusta Torcato

 As ideias estão ainda de férias. Se a palavra não fosse tão feia, eu até a utilizaria mais – procrastinação. Meu Deus, que palavra horrível para dizer apenas que se anda com  preguiça, sem vontade, a adiar o que tem de ser feito.
(ler mais...)


O passado e a tradição »  2018-08-30  »  Jorge Carreira Maia

Graças a um artigo de António Guerreiro, no Público, descobri dois versos extraordinários do realizador e poeta italiano Pier Paolo Pasolini. Deste, conheço alguns filmes, mas nunca li a sua poesia.
(ler mais...)


Ética »  2018-08-29  »  Inês Vidal

As novas tecnologias e a Internet - admirável mundo este que nos leva ao outro lado do globo num segundo - vieram mudar os nossos dias, rotinas, até o tom e a forma das nossas conversas. “O meio é a mensagem”, já anunciavam há muito alguns teóricos destas coisas da comunicação.
(ler mais...)


Agosto »  2018-08-29  »  José Mota Pereira

O mês de Agosto vai-se despedindo, a pouco e pouco, nestes dias e noites quentes.

Não há novidade nisto: Agosto ainda é o mês em que, por todo o país, se toma conta dos largos e se dança, canta, convive nas festas populares, trazendo vida aos territórios a que chamamos aldeias e de onde, se há notícias ao longo do ano, é para contar do abandono e da desertificação.
(ler mais...)


Uso e abuso de substancias químicas: a dependência de drogas e álcool »  2018-08-29  »  Juvenal Silva

O uso e abuso de substâncias químicas caracteriza-se por uma dependência, tanto psicológica como física, de drogas, incluindo-se medicamentos com receita médica e álcool.

O que é uma dependência química? Acontece quando um indivíduo necessita de uma droga para funcionar.
(ler mais...)


Protectorado »  2018-08-16  »  Jorge Carreira Maia

O Verão teve, até agora, dois acontecimentos políticos maiores. O caso Robles e o fogo de Monchique. Maiores para os mass media e para uma certa direita social. Por direita social não me refiro aos partidos políticos de direita, os quais não estiveram particularmente mal em ambos os casos, mas àqueles que se manifestam nas redes sociais, nas caixas de comentários dos jornais online, que surgem como espontâneos nos directos das televisões, isto é, a uma militância informe, mas muito activa, que vive despeitada pelos seus não estarem no governo.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-09-13  »  Jorge Carreira Maia O quarto milagre de Fátima
»  2018-09-12  »  José Mota Pereira Poesia nos posters
»  2018-09-12  »  Anabela Santos Rentrée