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The wall

Opinião  »  2016-01-20  »  João Carlos Lopes

"Da rotunda, paredes meias com a avenida, a artéria nobre da cidade, o olhar vai desembocar directamente numa rua que é ela toda um muro de dimensões despropositadas e incompreensíveis a qualquer lógica de cidade."

Há coisas que se fazem numa cidade que durarão gerações incontáveis e ficarão a assinalar, umas vezes a visão ousada, outras a indigência dos protagonistas das decisões. Sem qualquer interesse na matéria e sem qualquer abordagem de natureza política, ficando-me, portanto, nos limites do bom senso e daquilo que parece ser o interesse da cidade, não deve deixar-se passar o caso do reordenamento da Rua da Fábrica, que configura mais uma solução duvidosa da actual gestão municipal. A lei permitia um muro daquela inusitada altura no centro de uma cidade? Suponhamos que sim. Supunhamos. Mas dava à câmara municipal poderes para limitar a altura do paredão, atendendo exactamente ao interesse público e às exigências de uma paisagem urbana coerente e digna. Isto é, o limite máximo permitido por lei, supunhamos que aquilo é permitido, não obrigava a decidir-se assim: não era obrigatória uma decisão assim. Também a extensão dada ao estacionamento no conjunto do troço, parece desequilibrada: ocupa-o quase todo. Da rotunda, paredes meias com a avenida, a artéria nobre da cidade, o olhar vai desembocar directamente numa rua que é ela toda um muro de dimensões despropositadas e incompreensíveis a qualquer lógica de cidade, do centro de uma cidade, somada a uma fileira de automóveis de uma ponta a outra. É pobre, é duvidoso, é mau. Não tem explicação plausível, não há uma lógica que se possa pressentir numa muralha daquele quilate. Há muros que matam para sempre o que devia ser uma cidade aberta, sem ameias.

 

 

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