• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sexta, 27 Novembro 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Seg.
 18° / 9°
Períodos nublados
Dom.
 16° / 7°
Períodos nublados com chuva fraca
Sáb.
 16° / 7°
Céu nublado com chuva moderada
Torres Novas
Hoje  17° / 8°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Mais rápido que a própria sombra - carlos paiva

Opinião  »  2020-11-21  »  Carlos Paiva

" Cortaram-se faias porque sujavam muito as ruas e causavam rinite a muitos torrejanos."

As árvores, além de produzirem oxigénio e servirem de lar para uma série de bicharada, têm num dos efeitos colaterais à sua existência, o arrefecimento do ar. Onde há árvores, fica mais fresquinho. Seria de esperar que, numa localidade onde o calor no verão ultrapassa os 40 graus com frequência, as árvores fossem estimadas e prioritárias. Não. Na cidade sem Dalton mas com muitos Ran-Tan-Plan, corta-se primeiro e pergunta-se depois. Em caso de dúvida ou empate, corta-se.
Senão vejamos: arrancaram-se os castanheiros da avenida porque as raízes estragavam o piso. Depois de matarem os castanheiros, o piso da avenida ficou lisinho e nivelado? Não.
Cortaram-se faias porque sujavam muito as ruas e causavam rinite a muitos torrejanos. No fim de matarem as faias, as ruas ficaram limpas? Não. Deixou de haver casos de rinite em Torres Novas? Também não.
Cortaram-se as árvores que ladeavam o planalto, porque eram desadequadas, não serviam para nada e tinham custos de manutenção. Ficou uma área que alguém teimosamente insiste em classificar como privilegiada para lazer e desporto. Exposto à torreira do sol desde que nasce até que se põe. Alguém usa, alguém lá vai? Não. Os custos de manutenção baixaram? Também não. A muito custo lá plantaram três ou quatro árvores para disfarçar, ao longo de várias intervenções. Aliás, pelo dinheiro que se enterra ali, deve lá haver petróleo, desconfio.
Os chorões prejudicavam as margens do rio, removeram-se. O rio ficou mais protegido? Não. O rio vai castanho. Como não é poluição, são sedimentos arrastados pela chuva, a malta relaxa. Erosão não é mediático. Mas, havendo árvores, são esses os sedimentos que as raízes retêm, outro efeito colateral da sua existência, prevenir a erosão dos solos.
Plantou-se um pequeno espaço verde, vizinho a um monumento histórico, com visibilidade turística, alegadamente. Alguém regou, aparou, cuidou? Não. Morreram as árvores e o resto é mato. Lindo de se ver, atrai excursões de muito longe. Se por um devaneio qualquer resolvessem fazer hoje um pequeno bosque de plátanos, lá para 2120 quando se usufruísse plenamente da sua presença, alguém na câmara ficaria a coçar a cabeça acerca de como teria o descalabro chegado àquele ponto, já que nunca ninguém tinha regado aquilo. Chegavam rapidamente à conclusão que as folhas secas sujam muito as ruas e o fresquinho faz mal à sinusite. Intolerável, portanto.
Ouvem-se motosserras. Motosserras laser, porque é 2120. Uma avaria-se, a Câmara não tem contrato de manutenção, obrigando a intervenção, planeada ao detalhe com muita antecedência, a resvalar em prazo e em custo, para o triplo. Um fulano magrinho da Rua J expõe a entropia do sistema e forma o movimento “Irra Nabasta Já?”, convoca manifs, sensibiliza a malta e salva os plátanos. Tudo isto antes do processo de aquisição por ajuste directo para a reparação da motosserra ser lançado, sequer. Há que aproveitar as falhas do sistema.
De volta ao presente, um antepassado daquele activista vê-se envolto num cheiro nauseabundo para chamar a atenção da malta. Porque a malta anda distraída. Não Basta ser entidade altamente poluidora, um tribunal mandou-a encerrar. A poluição cessou? Não. O que fazem as entidades competentes? Nada. Estão atentas, dizem. Logo que se produza ali alguma árvore, caem-lhes em cima. Mais rápido que a própria sombra.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Onde pára o PS? - josé mota pereira »  2020-11-21  »  José Mota Pereira

Vivi algum tempo nos Açores, onde contactei com uma realidade social e política muito diversa daquela a que estava habituado por estas paragens. Nesse período, a transição do poder político passava de Carlos César para o seu sucessor, Vasco Cordeiro, de forma absolutamente tranquila, com o PS exercendo uma maioria eleitoral que a toda a gente parecia vir a ser eterna.
(ler mais...)


Gatos »  2020-11-21  »  Rui Anastácio

A “Rosa dos Gatos” foi uma das personagens que habitou a minha infância. Na verdade a minha infância foi habitada por uma miríade de personagens. Escolhi a Rosa não sei bem porquê.

A Rosa alimentava vinte gatos, tinha muito mau feitio para as crianças mas um imenso amor pelos gatos.
(ler mais...)


[Breve ensaio para uma carta ao futuro] - margarida trindade »  2020-11-21  »  Margarida Trindade

Aquele era o tempo do contágio. O tempo em que da ordem nasceu a desordem. O tempo da separação e da angústia. O tempo asséptico. O tempo final. O tempo do medo. O tempo da rebelião e de todos os perigos latentes.
(ler mais...)


Ser Torrejano - josé ricardo costa »  2020-11-21  »  José Ricardo Costa

Desço a rua dos Anjos quando o meu cérebro é de repente apoquentado por uma radical e inquietante questão. Não o pavor diante do silêncio e escuridão do espaço cósmico ou por não saber se quando esticar o pernil irei dar com a Audrey Hepburn a cantar o Moon River numa matiné de domingo no Virgínia ou com um cenário de Bosch.
(ler mais...)


Pandemia e a vantagem do meio termo - jorge carreira maia »  2020-11-21  »  Jorge Carreira Maia

Depois de uma pequena acalmia, a pandemia de COVID-19 escalou. Contágios, internamentos, utilização de cuidados intensivos e mortes, tudo isso apresenta números que são já assustadores. É fácil criticar os governos, difícil, porém, é ter, com os recursos existentes e com os conhecimentos disponíveis, respostas que agradem a todos ao mesmo tempo.
(ler mais...)


Generalizar, apontar, julgar - inês vidal »  2020-11-21  »  Inês Vidal

Digo isto com frequência. Quem melhor me conhece, já o ouviu dezenas de vezes. Ainda hoje, ao jantar, dizia à minha filha que não podemos viver no preconceito. A vida não é a preto e branco, tem antes milhares de nuances.
(ler mais...)


Água - antónio gomes »  2020-11-21  »  António Gomes

A água é um recurso escasso, não é infinito e não podemos viver sem ela. O acesso à água é um direito humano.
Muito se tem escrito e muito se vai continuar a escrever sobre a exploração e utilização da água, mas medidas concretas para rentabilizar a sua utilização são ainda são escassas e decisões políticas são a excepção.
(ler mais...)


Voltemos ao comércio local - antónio gomes »  2020-11-06  »  António Gomes

A situação de pandemia agrava-se aos olhos de toda a gente e as consequências desta situação são evidentes: no emprego/desemprego, na actividade económica, na transacção de mercadorias, em particular no comércio local.
(ler mais...)


FUI LÁ ATRÁS, VOLTO JÁ - josé mota pereira »  2020-11-06  »  José Mota Pereira

Passados três meses da sua aquisição, o smartphone decidiu entregar a alma ao criador, pelo que o cronista teve que o substituir temporariamente, aguardando a devida recuperação do paciente tecnológico. Sendo a doença temporária e recuperável no prazo razoável de três semanas, decidiu o cronista investir a modesta quantia de cerca de vinte moedas de euros na aquisição de um aparelho telefónico portátil, a que dantes chamávamos telemóvel, para permitir o seu contacto com os outros humanos do Mundo.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-11-21  »  José Mota Pereira Onde pára o PS? - josé mota pereira
»  2020-11-21  »  José Ricardo Costa Ser Torrejano - josé ricardo costa
»  2020-11-06  »  Jorge Carreira Maia Hiperpolitização - jorge carreira maia
»  2020-11-21  »  Carlos Paiva Mais rápido que a própria sombra - carlos paiva
»  2020-11-06  »  José Mota Pereira FUI LÁ ATRÁS, VOLTO JÁ - josé mota pereira