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A bolha - miguel sentieiro

Opinião  »  2020-09-28  »  Miguel Sentieiro

" Optou-se por se seguir uma linha mais impactante e manter 30 alunos por turma "

O início das aulas em época de covid exigia medidas drásticas para que o descalabro pandémico não surgisse em todo o seu esplendor. As equipas especializadas do ministério da educação, em estreita ligação com as equipas especializadas da DGS, montaram uma estratégia especializada infalível baseada num único conceito: a bolha…!

Eu sei que o nome não tem um grande impacto sonoro, é um pouco mortiço até, mas interessa sobretudo o seu conteúdo em termos operacionais. E o conteúdo da bolha é a turma do 5ºB. Expliquemos por miúdos em que pressupostos assenta esta fabulosa ideia. Os alunos quando entram na escola são impelidos de forma magnética a operarem uma junção com os outros colegas da mesma turma e permanecem nesse estado de molhada selectiva durante todo o dia. A este estado molecular, os especialistas chamaram “bolha”. E essa bolha é criada com o intuito de não propagar vírus às outras bolhas vizinhas do 5ºA e do 5ºC que não têm a culpa da bolha propagadora ser descuidada.

Como qualquer invenção feita em cima do joelho, perdão, feita assente numa consistente base científica, precisa de limar algumas arestas para que fique verdadeiramente perfeita. A ideia inicial de que, em princípio, turmas com menos alunos teriam menor taxa de propagação caiu por terra, uma vez que poderia descambar num conceito de “bolhinha”, designação que daria um cunho pouco sério a este plano. Optou-se por se seguir uma linha mais impactante e manter 30 alunos por turma para se poder fugir com propriedade para uma designação de “bolhona”. Uma coisa em grande; uma bolha bem nutrida. Só assim se avalia a resistência das paredes que envolvem essa bolha; com muita malta dentro a gritar que quer sair para ir dar um amasso na miúda do 7ºF .

E quando poderíamos pensar que a parede da bolha teria uma resistência superior à do latex, eis que surge a constatação de que a bolha ao ar livre pode rebentar em menos de um fósforo. Parece que é dos raios ultravioletas ou da brisa de noroeste. Optou-se então por deixar a bolha de alunos o maior tempo possível dentro da sala de aula, o espaço ideal para que o vírus não tenha muito ar para respirar. Saídas fugazes da bolha ao ar livre, só para espaços territoriais bem definidos, se possível encostados ao pilar da sala onde o 5ºC está a ter aula de ciências naturais.

Está quase tudo perfeito com esta hermética bolha, não fossem duas balas que furam essa parede celular em sentidos inversos. O tipo que invade essa bolha vindo do exterior chamado professor e o que foge dessa bolha para o exterior chamado o tipo à rasquinha para uma mijinha. O professor entra na bolha do 5ºB, depois de ter mergulhado de cabeça nas bolhas do 5ºA, do 7ºE, do 9ºD e do 5ºF. Em princípio, não tem problema porque é sabida a resistência molecular da bolha do docente, que aguenta sem problema viagens de 240 km para conseguir dar 11 horas de aulas numa escola em Penamacor. São tipos habituados a dar a bolha às balas; o vírus não penetra nessas carapaças atléticas. Já o tipo à rasquinha para uma mijinha é mais problemático por ser menos resistente. Deveria ser capaz de aguentar todo o dia com a bexiga firme, sem pestanejar, ali na bolhona da sala de aula com os seus 29 colegas átomos aos saltos.

As equipas especializadas do ministério da educação estão embevecidas com a sua criação e com razão. A bolha tem tudo para dar certo. Basta ver o grau de contentamento dos alunos que entram radiantes na bolha onde permanecerão todo o dia de máscara, dentro da sala de aula a maior parte do tempo, longe dos amigos das outras bolhas e sem qualquer vontade de saltar a vedação.

Não entendo a expressão “estar com a bolha” como uma estado de má disposição, quando “estar na bolha” espelha uma sensação de total segurança e harmonia. A coisa fará de tal maneira sucesso que serão os alunos que prolongarão esta bolha para o exterior, onde até agora reinava uma inconsciente libertinagem de contactos com outros amigos. Hoje mesmo estou a pensar organizar o jantar para os dos 25 colegas do meu filho, cuja bolha circulou durante todo o dia. Só tenho de planear as rotas de entrada e de saída, para que não se cruzem com a bolha dos 35 colegas de faculdade da minha filha que vieram passar o fim de semana juntos. Em princípio, vai cada bolha para o seu quarto e só saem à vez quando estiverem à rasquinha.

 

 

 

 

 

 

 

 

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