• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sexta, 22 Março 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Seg.
 26° / 11°
Céu limpo
Dom.
 24° / 11°
Períodos nublados
Sáb.
 25° / 9°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  22° / 7°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Mulher

Opinião  »  2019-02-21  »  Margarida Oliveira

"A mulher cidadã, que vota e é votada, tem pela frente um longo caminho para se impor em todas as dimensões da vida política, cultural e social."

Se é adquirido que com o 25 de Abril de 1974, as mulheres alcançaram o reconhecimento dos seus direitos mais fundamentais, exigindo a igualdade na vida, entre mulheres e homens, certo é, que fora o que seria obrigatório conceder, com o objectivo de serenar os ânimos reivindicativos femininos, praticamente tudo continua por fazer.
A mulher trabalhadora em funções semelhantes, ou de semelhante valor, a um par masculino, continua a ser retribuída em valor inferior, o que a obriga a trabalhar mais dias que um homem, para receber o mesmo.

É duramente pressionada a abdicar dos seus direitos legais de parentalidade, ou condicionada para os limitar ao mínimo possível, sob pena de ver ainda mais cavado o fosso de desigualdades que a persegue, traduzido em vínculos laborais precários, que lhe condicionam a progressão e valorização da carreira.
A mulher mãe é coagida a despir-se da sua condição, quer porque teve, tem ou terá filhos, ou simplesmente porque não os terá de todo.
Solitária força da natureza, cuidadora da família, perdida de si mesma.

Concretiza porque não tem outra saída. E se não, logo a sociedade trata de a colocar no devido lugar e algum rótulo lhe será cravado na pele, como uma letra escarlate.
A mulher sexual, vive ainda escondida, até de si mesma. Correndo grandes riscos, físicos e emocionais, quando se expõe, até perante quem lhe é mais próximo e tem maior responsabilidade em respeitar quem ela é.

Vítima de inomináveis violências, é um dos maiores alvos em tempos de guerra, traduzida em tortura e violação sexual de mulheres e meninas.
Já em tempos de paz, ainda tem que suportar o tráfico como se de gado se tratasse, ou a mutilação genital, como uma forma obscura de por fim à sua sexualidade.
O flagelo da prostituição, punitivo e castrador de liberdades, um perigo para a sua saúde física e mental, enfrenta ainda a complacência da sociedade, que ao invés de lutar para a erradicar, usa subterfúgios para a normalizar e enquadrar, como se trabalho fosse. Como se cada um de nós exibisse com orgulho uma filha prostituta. Como se fosse sequer aceitável exibir uma mulher.

A mulher cidadã, que vota e é votada, tem pela frente um longo caminho para se impor em todas as dimensões da vida política, cultural e social.
Tem que ser mais inteligente, mais imaculada nos valores e comportamentos, mais trabalhadora, moralmente superior e não pode ousar lutar por ser mulher.

Todas as fragilidades da sua condição social, levam a que seja a maior vítima de violência doméstica, com uma morte a cada duas semanas, às mãos de companheiros ou ex-companheiros, sem que daí surja uma inequívoca condenação social do silêncio que envolve esta realidade.
Para todas estas condicionantes não existe uma resposta imediata, o caminho é solitário e íngreme, a mulher tem que lutar mais, tem que trabalhar mais, tem que ser mais, tem que dar mais, para no fim, ser sempre menos.
A não ser que juntas, sejamos mais.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Como dantes não se falava, também não se dava por ela. »  2019-03-22  »  José Ricardo Costa


Qualquer pessoa normal é contra a violência doméstica. Acontece que não gosto da expressão “violência doméstica”, demasiado sociológica, urbana, abstracta, mera etiqueta que não faz jus ao tipo de aberração que pretende traduzir.
(ler mais...)


O Nhonhinhas »  2019-03-22  »  Miguel Sentieiro

A nonhinhisse como fenómeno social surgiu para nos pôr à prova. Entrou nas nossas vidas sem se dar por isso, mas percebemos o efeito corrosivo que tem no nosso bem estar. Um indivíduo coloca-se na fila de uma repartição comercial.
(ler mais...)


#Hashtag »  2019-03-22  »  Margarida Oliveira

Se no imediato, os 200 anos estimados pela ONU para o alcance da igualdade entre mulheres e homens parecem uma espécie de eternidade inatingível, na verdade, olhando a linha temporal da humanidade, eles representam apenas o último pedaço do último degrau, desta luta milenar.
(ler mais...)


Prioritário? As estradas. »  2019-03-22  »  António Gomes

Vem isto a propósito das obras de reabilitação do largo do Rossio. Decidiu, a maioria socialista na CM, dar prioridade à realização de obras no Largo General Humberto Delgado (Rossio). O projeto não se sabe bem o que é, visto que o PS decidiu alterar aquilo que foi aprovado em reunião de câmara.
(ler mais...)


Os phones são outro fenómeno que revolucionou o modo como experienciamos a música »  2019-03-22  »  Ana Sentieiro

É com alguma indignação entrelaçada com revolta que exponho um assunto secundário numa panóplia de assuntos, dos quais, o salário do Ronaldo agarra o protagonismo e leva-o de férias para a Grécia no seu jato privado, com direito a champanhe e não espumante! Parece que ninguém está interessado em dar relevo à falta de cultura musical dos millennials.
(ler mais...)


Brasil, China, Entre-os-Rios e Novo Banco »  2019-03-09  »  Jorge Carreira Maia

1. A DOENÇA DO BRASIL. Apesar de sermos latinos e de permitirmos coisas inaceitáveis nos países do centro e do norte da Europa, ainda é difícil para os portugueses compreender a doença que ataca com virulência inusitada o Brasil.
(ler mais...)


Remodelação, Bloco, Greves e Exames »  2019-02-22  »  Jorge Carreira Maia

1. REMODELAÇÃO DO GOVERNO. A importância da remodelação do governo ocorrida no início da semana é, do ponto de vista da orientação política, tendencialmente nula.
(ler mais...)


Em suma, não se fotografa o que se come, come-se para fotografar. »  2019-02-21  »  José Ricardo Costa

Por estranho que pareça, houve um tempo em que se ia ao restaurante sobretudo para comer. Sim, também para conviver, comemorar, fazer negócios, mas sempre com o prazer da boa mesa como alvo. Nós, portugueses, para além de comer adoramos falar sobre o que comemos, nem que seja para lembrar, com a expressão lúbrica do lobo dos desenhos animados, o maravilhoso cabrito com grelos que comemos há 20 anos.
(ler mais...)


Aero… coisa, mas muito séria »  2019-02-21  »  António Gomes

A noticia teve origem na informação prestada em reunião de câmara pelo vice-presidente da mesma: aeroporto internacional, 4 Kms de pista, 160 voos/dia, 200 milhões de investimento, etc..

E foi apresentada com pompa e circunstância, uma grande mais valia para Torres Novas e arredores.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-02-22  »  Jorge Carreira Maia Remodelação, Bloco, Greves e Exames
»  2019-02-21  »  António Gomes Aero… coisa, mas muito séria
»  2019-02-21  »  Margarida Oliveira Mulher
»  2019-02-21  »  José Ricardo Costa Em suma, não se fotografa o que se come, come-se para fotografar.
»  2019-02-21  »  Anabela Santos Opções