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150 Anos de “Bom Senso e Bom Gosto”

Opinião  »  2015-09-17  »  Adelino Pires

"O caldo entornou-se com o prefácio de Castilho aos “Poemas da Mocidade” de Pinheiro Chagas. Os tempos haviam mudado e Antero, cansado de tanto elogio mútuo entre romanticos, reagiu com a célebre “Bom Senso e Bom Gosto – Carta ao Excelentíssimo Senhor António Feliciano de Castilho”, subscrevendo-a com um “Nem admirador nem respeitador, Anthero de Quental”."

Em Setembro de 1865, há precisamente cento e ciquenta anos, o meio cultural português agitava-se com a polémica entre o “status quo” de Castilho, António Feliciano de Castilho, e o arrojo de Antero de Quental.

Quando o velho Castilho, olhando do interior da sua cegueira, refastelado na sua provecta idade e avesso a aventuras, foi agitado por aquela estudantada coimbrã, encrespou-se, irritou-se e fez-se ouvir. Habituado a apadrinhar um ou outro puplilo que lhe seguisse os métodos, queria lá saber agora daquela gentalha moderna, misto de agitadores e metediços. Fosse porque os olhos o não permitissem ou porque mesmo às apalpadelas o não quisesse sentir, a António Feliciano não lhe falassem em aventuras, em desvarios poéticos ou em odes mais ou menos modernas.

Isso seria para um tal Antero, açoriano, dos Quentais de Ponta Delgada, cabelo enruivado e alma endiabrada que dera em partir a loiça por aqui e por ali, numa Coimbra boémia, idealista e intelectual.

E o curioso é que ambos haviam tido algo em comum. Fôra com Castilho que Antero, ainda menino, começara a afrancesar as primeiras letras quando aquele, já então com quarenta e sete anos, se instalara em Ponta Delgada, desgostoso com o insucesso do seu “Methodo Portuguez” que seria suposto ser para leitura repentina e não para indiferença duradoira.

O caldo entornou-se com o prefácio de Castilho aos “Poemas da Mocidade” de Pinheiro Chagas. Os tempos haviam mudado e Antero, cansado de tanto elogio mútuo entre romanticos, reagiu com a célebre “Bom Senso e Bom Gosto – Carta ao Excelentíssimo Senhor António Feliciano de Castilho”, subscrevendo-a com um “Nem admirador nem respeitador, Anthero de Quental”.

Foi o rastilho daquela que, ficaria conhecida como a Questão Coimbrã, qual pedrada num charco ultra-romantico. Nela se envolveram, por um lado, figuras como o próprio Castilho e os seus apaniguados Tomás Ribeiro e Pinheiro Chagas e por outro, os então inconformados Antero, Eça de Queiroz ou Oliveira Martins. Com direito até a um inimaginável duelo entre Ramalho Ortigão e o próprio Antero, ocorrido em Fevereiro do ano seguinte.

Veio depois a Geração de 70, vieram as Conferências do Casino, e tudo o resto que numa simples crónica ficará por escrever.

Porque escrever sobre Antero de Quental, talvez lá mais para o ano, quando também em Setembro, se ouvirem os ecos dos dois tiros com que há cento e vinte e cinco anos, nos Açores onde havia nascido, o Poeta decidiu partir. Talvez lá, onde estiver, continue escrevendo as suas Odes e Sonetos, olhando de longe a casa que o viu nascer em Ponta Delgada, numa tal Rua do Lameiro, hoje ironicamente chamada, Rua António Feliciano de Castilho.


(Adelino Correia-Pires, Setembro 2015)

 

 

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