• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quinta, 01 Outubro 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Dom.
 21° / 12°
Céu nublado com chuva fraca
Sáb.
 19° / 12°
Períodos nublados com chuva fraca
Sex.
 19° / 13°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  23° / 13°
Céu nublado
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

150 Anos de “Bom Senso e Bom Gosto”

Opinião  »  2015-09-17  »  Adelino Pires

"O caldo entornou-se com o prefácio de Castilho aos “Poemas da Mocidade” de Pinheiro Chagas. Os tempos haviam mudado e Antero, cansado de tanto elogio mútuo entre romanticos, reagiu com a célebre “Bom Senso e Bom Gosto – Carta ao Excelentíssimo Senhor António Feliciano de Castilho”, subscrevendo-a com um “Nem admirador nem respeitador, Anthero de Quental”."

Em Setembro de 1865, há precisamente cento e ciquenta anos, o meio cultural português agitava-se com a polémica entre o “status quo” de Castilho, António Feliciano de Castilho, e o arrojo de Antero de Quental.

Quando o velho Castilho, olhando do interior da sua cegueira, refastelado na sua provecta idade e avesso a aventuras, foi agitado por aquela estudantada coimbrã, encrespou-se, irritou-se e fez-se ouvir. Habituado a apadrinhar um ou outro puplilo que lhe seguisse os métodos, queria lá saber agora daquela gentalha moderna, misto de agitadores e metediços. Fosse porque os olhos o não permitissem ou porque mesmo às apalpadelas o não quisesse sentir, a António Feliciano não lhe falassem em aventuras, em desvarios poéticos ou em odes mais ou menos modernas.

Isso seria para um tal Antero, açoriano, dos Quentais de Ponta Delgada, cabelo enruivado e alma endiabrada que dera em partir a loiça por aqui e por ali, numa Coimbra boémia, idealista e intelectual.

E o curioso é que ambos haviam tido algo em comum. Fôra com Castilho que Antero, ainda menino, começara a afrancesar as primeiras letras quando aquele, já então com quarenta e sete anos, se instalara em Ponta Delgada, desgostoso com o insucesso do seu “Methodo Portuguez” que seria suposto ser para leitura repentina e não para indiferença duradoira.

O caldo entornou-se com o prefácio de Castilho aos “Poemas da Mocidade” de Pinheiro Chagas. Os tempos haviam mudado e Antero, cansado de tanto elogio mútuo entre romanticos, reagiu com a célebre “Bom Senso e Bom Gosto – Carta ao Excelentíssimo Senhor António Feliciano de Castilho”, subscrevendo-a com um “Nem admirador nem respeitador, Anthero de Quental”.

Foi o rastilho daquela que, ficaria conhecida como a Questão Coimbrã, qual pedrada num charco ultra-romantico. Nela se envolveram, por um lado, figuras como o próprio Castilho e os seus apaniguados Tomás Ribeiro e Pinheiro Chagas e por outro, os então inconformados Antero, Eça de Queiroz ou Oliveira Martins. Com direito até a um inimaginável duelo entre Ramalho Ortigão e o próprio Antero, ocorrido em Fevereiro do ano seguinte.

Veio depois a Geração de 70, vieram as Conferências do Casino, e tudo o resto que numa simples crónica ficará por escrever.

Porque escrever sobre Antero de Quental, talvez lá mais para o ano, quando também em Setembro, se ouvirem os ecos dos dois tiros com que há cento e vinte e cinco anos, nos Açores onde havia nascido, o Poeta decidiu partir. Talvez lá, onde estiver, continue escrevendo as suas Odes e Sonetos, olhando de longe a casa que o viu nascer em Ponta Delgada, numa tal Rua do Lameiro, hoje ironicamente chamada, Rua António Feliciano de Castilho.


(Adelino Correia-Pires, Setembro 2015)

 

 

 Outras notícias - Opinião


A roleta russa - jorge carreira maia »  2020-09-28  »  Jorge Carreira Maia

A questão do novo coronavírus tornou-se uma espécie de roleta russa em dois momentos. No primeiro, o tambor da pistola roda para descobrirmos se somos ou não contaminados. Caso sejamos, ele torna a rodar, agora de forma decisiva.
(ler mais...)


Boys - rui anastácio »  2020-09-28  »  Rui Anastácio

A palavra parece ser inglesa, mas é apenas aparência. É uma palavra portuguesa, com certeza. Foi proferida, pela primeira vez, nos idos anos 90 pelo actual secretário-geral das nações unidas. “No jobs for the boys”.
(ler mais...)


A bolha - miguel sentieiro »  2020-09-28  »  Miguel Sentieiro

O início das aulas em época de covid exigia medidas drásticas para que o descalabro pandémico não surgisse em todo o seu esplendor. As equipas especializadas do ministério da educação, em estreita ligação com as equipas especializadas da DGS, montaram uma estratégia especializada infalível baseada num único conceito: a bolha…!

Eu sei que o nome não tem um grande impacto sonoro, é um pouco mortiço até, mas interessa sobretudo o seu conteúdo em termos operacionais.
(ler mais...)


Ironia do destino ou lei do retorno? - maria augusta torcato »  2020-09-28  »  Maria Augusta Torcato

Sempre tive, e continuo a ter, um fascínio por escolas. Quando se atravessa uma aldeia, uma pequena vila, ou até um monte ou pequenino aglomerado de casinhas, os edifícios que albergavam as escolas têm uma traça comum e especial.
(ler mais...)


QUE PARECENDO SER PLURAL E DIVERSO - margarida trindade »  2020-09-28  »  Margarida Trindade

Em cima da mesa da cozinha, em casa dos meus avós, havia sempre um último número do Jornal de Abrantes. A lembrança é de umas folhas muito brancas e rígidas, de um jornal que à época já me parecia antigo, e era comparado com o Expresso ou com A Capital — outros jornais que me habituei a ver também em cima de outra mesa, na sala de estar da casa dos meus pais.
(ler mais...)


O ESPELHO - josé mota pereira »  2020-09-28  »  José Mota Pereira

Em 1992, ainda a RTP era a televisão única. Todas as quartas-feiras à noite o serão é dedicado a entrevistas protagonizadas por Carlos Cruz a uma série de personalidades. O espaço chama-se precisamente “Carlos Cruz - Quarta Feira” e numa noite a entrevista resultou numa conversa amena e franca.
(ler mais...)


Crónica de um tempo que ainda não aconteceu - jorge salgado simões »  2020-09-28  »  Jorge Salgado Simões

Ainda bem que acabaram o IC3!

Vejam o que seriam os tempos de pandemia sem aquela via, prometida há anos como contrapartida da instalação do Eco Parque do Relvão. Hoje, é lá que se tratam muitos dos resíduos perigosos do país e mesmo de outros países, e entre eles os resíduos hospitalares.
(ler mais...)


A construção de edifícios no Médio Tejo - antónio gomes »  2020-09-28  »  António Gomes

O INE divulgou as estatísticas de construção dos anos 2018 e 2019 com base em estimativas e nas informações das empresas de construção. Significa isto que deveria haver por parte do PS/Torres Novas algum cuidado naquilo que tenta impor dentro da Câmara e não levar a Câmara a divulgar dados que não são rigorosos.
(ler mais...)


Vivências, aprendizagens e emoções - anabela santos »  2020-09-28  »  AnabelaSantos

Para além das vivências, das aprendizagens e das emoções, crescimento, resiliência, luta, trabalho e solidariedade, são estas as palavras que escolho para me acompanharem nos próximos onze meses.

Daqui a algumas horas, um avião me levará até Timor, a ilha encantada, em forma de crocodilo.
(ler mais...)


A mesa - rui anastácio »  2020-09-12  »  Rui Anastácio

Tenho um certo fascínio por mesas. Ao longo da minha vida já mandei fazer algumas. Quase sempre mesas grandes e robustas. Onde se possam sentar muitas pessoas. Onde se possa beber um bom vinho, comer muito, conversar muito, discutir muito, praguejar, gritar, lutar por ideias e ideais.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-09-01  »  José Mota Pereira O rio do fururo - josé mota pereira
»  2020-09-28  »  Maria Augusta Torcato Ironia do destino ou lei do retorno? - maria augusta torcato
»  2020-09-01  »  Rui Anastácio Agricultores - rui anastácio
»  2020-09-12  »  Mariana Varela Democracia e representatividade - mariana varela
»  2020-09-01  »  Mariana Varela O debate e a ditadura de pensamento - mariana varela