• SOCIEDADE  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Segunda, 27 de Fevereiro de 2017
Pesquisar...
Qui.
 19° / 3°
Céu nublado com chuva fraca
Qua.
 18° / 6°
Céu nublado
Ter.
 16° / 8°
Céu nublado
Torres Novas
Hoje  20° / 8°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O PEDU segundo Mateus, o augusto

Opinião  »  2017-02-16  »  João Carlos Lopes

"Uma vitória eleitoral não dá mandato para determinado tipo de decisões"

“Torres Novas.pt- ponte para todos” será, muito provavelmente, o último trabalho deste cariz, feito nesta autarquia, com vista à definição de uma estratégia global para o concelho na perspectiva de candidaturas comunitárias”: eram estas as palavras de António Rodrigues a abrir o prefácio do plano estratégico 2007/2015, elaborado pela empresa do ex-ministro socialista e consultor-mor Mateus, o augusto dos planos e eixos estratégicos (os mais grisalhos ainda se lembram do célebre “eixo estratégico Torres Novas/Entroncamento” sobre o qual o antigo vereador Carlos Tomé, o maior poeta que alguma vez passou por esta pobre autarquia, lavrou, lapidar: “No eixo é um descanso”. E foi).
O mais divertido nesta viagem ao passado dos planos estratégicos que ciclicamente, como as andorinhas, arribam em seus alegres chilreios, e voltando àquele que Rodrigues, no seu assomo apocalíptico, pensou ser o último dos séculos e dos séculos, é que lá estão todas as obras então em fase de execução, caso da biblioteca, e dezenas de outras, grande parte executadas, diga-se em boa verdade e em verdade vos digo (centros escolares, envolvente do castelo, praça 5 de Outubro, e tantas outras mais ousadas em seus devaneios, como a “cidade-circo”, a torre do tempo ou até a mata dos Mesiões).
E um cristão põe-se a ver os bonecos e lá vê, até, a Praça dos Claras, acabada há poucas luas e, mais surpreendentemente, quase todas aquelas que agora, neste “Portugal 2020”, à pala do PEDU, aparecem como âncoras desta renovada, e cito, “estratégia de desenvolvimento urbano”: lá estava já o Terreiro de Santa Maria, a central do Caldeirão e até o jardim no que resta da Horta das Pedras, em que se dizia que o parque de estacionamento ocuparia um terço do espaço e o jardim ribeirinho dois terços. O rosário, como se sabe foi outro, porque a turma do LENA nessas contas não se deixa levar e o terço foi rezado ao contrário. Adiante.
Rodrigues não previu nada para o prédio Alvarenga, porque simplesmente essas ruínas de décadas ainda eram privadas. E também, mesmo tendo em consideração o seu obreirismo compulsivo, não lhe passou pela cabeça, como não passaria ao diabo, ousar destruir o quase secular “jardim da avenida”, que na sua singela simplicidade algo demodée dos jardins românticos do século XIX, é paisagem protegida dos torrejanos, uma herança dos nossos ancestrais, uma imagem, quiçá a mais forte da cidade e a que lhe confere um módico de dignidade, apesar do abandono escandaloso de que é vítima por parte desta maioria em regime de substituição.
Uma vitória eleitoral não dá mandato para determinado tipo de decisões, quando elas põem em causa valores inalienáveis à mercê de circunstâncias fúteis, como é o caso deste conjunto de obras de melhoramentos urbanos. Lembrar-se-ia Medina de arrasar o jardim do parque Eduardo VII a pretexto de alguma modernice do momento, ou de destruir o jardim da Estrela para dar uma empreitada a um amigo? Não. E salvaguardando a proporção das coisas, é isso que assusta: pensar que há quem se arrogue, aqui, no direito de assassinar friamente a mais bela herança que esta cidade recebeu dos que antes, mal ou bem, a construiram. Por isso, a defesa do jardim tal como está, e a sua manutenção e melhoramento pontual é um imperativo cívico, é um desígnio nesta luta contra este eixo do mal que se julga inimputável na ligeireza e na desfaçatez com que alimenta a sua vertigem e a sua teimosa inclinação para correr em direcção ao abismo.
Que faremos, entretanto, com este plano? Quem tiver alguma ideia que atire a primeira pedra, o que não será difícil. Atirar a pedra, claro, porque vivemos numa cidade-ruína. Tal como o “Turris XXI”, “o eixo do descanso”, “o Ponte para Todos”, agora este PEDU (a que já chamam Programa Especial de Devastação Urbana), de toda esta tralha teórica não rezará a história. Fizeram-se obras com algum sentido e utilidade, é claro que sim, como agora se pede simplesmente que se façam algumas, apenas as necessárias, com parcimónia e sentido das proporções e sem querer estupidamente enterrar milhões só por enterrar. Dessas obras que se fizerem com algum tino, dessas rezará a história. E nós, embora agnósticos, republicanos e laicos (e também socialistas sem vergonha de o sermos, já agora), rezamos para que o Espírito Santo ilumine um pouco as cabeças de quem nos governa.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Fantoche... »  2017-02-25  »  Hélder Dias

BENDITOS OS PEIXES DO AZUL ( há 30 anos o Zeca emalou a trouxa e zarpou) »  2017-02-23  »  João Carlos Lopes

Pelos 14 anos, quando me meti nas militâncias revolucionárias logo a seguir ao dia inicial, mais que as ideologias e as cartilhas, vejo eu agora, havia uma espécie de programa poético que em fundo embalava gestos e ousadias, esperanças e coragens: pelas praias do mar nos vamos à procura da manhã clara.
(ler mais...)


Os benefícios terapêuticos da sauna »  2017-02-16  »  Juvenal Silva

A sauna é um benefício por muitos desconhecido e por outros negligenciado, sendo contudo, um dos melhores métodos para o aperfeiçoamento da forma física e da beleza, constituindo um tratamento de excelência na depuração orgânica e de extraordinária eficácia para o fortalecimento dos músculos, das articulações e,no aumento do rendimento da atividade, tanto física como intelectual.
(ler mais...)


Assim não! – caderno primeiro »  2017-02-16  »  Gabriel Feitor

Poderia abordar na crónica desta semana a questão dos refugiados acolhidos em Alcanena – assunto que, curiosamente, preencheu o espaço político da semana que passou – e a sua a sensacional recepção que envergonhou todos quantos primam pelo bom senso.
(ler mais...)


Pós-verdade e obras públicas »  2017-02-16  »  Jorge Salgado Simões

Para quem não deu por isso, António Costa veio cá no passado dia sete apresentar um programa nacional de valorização das áreas empresariais. São 180 milhões de euros para todo o país, dos quais cerca de 100 para acessibilidades a áreas empresariais já existentes, incluindo-se, neste caso, a ligação das zonas industriais do Entroncamento e Riachos à A23.
(ler mais...)


O castelo, o jardim e os outros »  2017-02-16  »  António Gomes

O bom senso aconselha a que se alargue o tempo de debate público e que se promova o mesmo, projeto a projeto.
Só assim podemos garantir as melhores soluções, as mais equilibradas e as mais consensuais. A aplicação dos dinheiros públicos em torno do PEDU vai muito para além dos mandatos autárquicos, é a cidade para as próximas gerações.
(ler mais...)


Autárquicas »  2017-02-16  »  Inês Vidal

Está dado o pontapé de saída para as eleições autárquicas, em Torres Novas. João Quaresma, líder da concelhia social-democrata, assume-se como candidato à Câmara Municipal, na frente de uma coligação com o CDS-PP, naquela que é uma tentativa de unir o eleitorado de direita.
(ler mais...)


Graças à geringonça »  2017-02-16  »  Jorge Carreira Maia

Os recentes elogios da Comissão Europeia ao desempenho de Portugal representam, por pouco que parte da esquerda goste ou não, uma vitória dessa mesma esquerda. De toda a esquerda portuguesa. Quando António Costa, perante os resultados eleitorais, decidiu formar governo com apoio parlamentar do BE, do PCP e do PEV toda a gente ainda está lembrada da tentativa de fronda lançada pela direita, fronda essa que estaria legitimada num conjunto de profecias que anunciavam que o novo governo não duraria seis meses, que o défice iria disparar e que o país estaria à beira do apocalipse.
(ler mais...)


Joseph de Maistre »  2017-02-03  »  Jorge Carreira Maia

Agora que uma certa direita política está a chegar ao poder é altura de olhar para o seu longínquo fundamento. Joseph de Maistre (1753-1821) – juntamente com Louis de Bonnald, Edmund Burke e Giambattista Vico – está na sua origem.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2017-02-23  »  João Carlos Lopes BENDITOS OS PEIXES DO AZUL ( há 30 anos o Zeca emalou a trouxa e zarpou)
»  2017-02-25  »  Hélder Dias Fantoche...