• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
Pesquisar...
Qua.
 18° / 6°
Céu limpo
Ter.
 19° / 7°
Céu limpo
Seg.
 18° / 7°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  18° / 6°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O PEDU segundo Mateus, o augusto

Opinião  »  2017-02-16  »  João Carlos Lopes

"Uma vitória eleitoral não dá mandato para determinado tipo de decisões"

“Torres Novas.pt- ponte para todos” será, muito provavelmente, o último trabalho deste cariz, feito nesta autarquia, com vista à definição de uma estratégia global para o concelho na perspectiva de candidaturas comunitárias”: eram estas as palavras de António Rodrigues a abrir o prefácio do plano estratégico 2007/2015, elaborado pela empresa do ex-ministro socialista e consultor-mor Mateus, o augusto dos planos e eixos estratégicos (os mais grisalhos ainda se lembram do célebre “eixo estratégico Torres Novas/Entroncamento” sobre o qual o antigo vereador Carlos Tomé, o maior poeta que alguma vez passou por esta pobre autarquia, lavrou, lapidar: “No eixo é um descanso”. E foi).
O mais divertido nesta viagem ao passado dos planos estratégicos que ciclicamente, como as andorinhas, arribam em seus alegres chilreios, e voltando àquele que Rodrigues, no seu assomo apocalíptico, pensou ser o último dos séculos e dos séculos, é que lá estão todas as obras então em fase de execução, caso da biblioteca, e dezenas de outras, grande parte executadas, diga-se em boa verdade e em verdade vos digo (centros escolares, envolvente do castelo, praça 5 de Outubro, e tantas outras mais ousadas em seus devaneios, como a “cidade-circo”, a torre do tempo ou até a mata dos Mesiões).
E um cristão põe-se a ver os bonecos e lá vê, até, a Praça dos Claras, acabada há poucas luas e, mais surpreendentemente, quase todas aquelas que agora, neste “Portugal 2020”, à pala do PEDU, aparecem como âncoras desta renovada, e cito, “estratégia de desenvolvimento urbano”: lá estava já o Terreiro de Santa Maria, a central do Caldeirão e até o jardim no que resta da Horta das Pedras, em que se dizia que o parque de estacionamento ocuparia um terço do espaço e o jardim ribeirinho dois terços. O rosário, como se sabe foi outro, porque a turma do LENA nessas contas não se deixa levar e o terço foi rezado ao contrário. Adiante.
Rodrigues não previu nada para o prédio Alvarenga, porque simplesmente essas ruínas de décadas ainda eram privadas. E também, mesmo tendo em consideração o seu obreirismo compulsivo, não lhe passou pela cabeça, como não passaria ao diabo, ousar destruir o quase secular “jardim da avenida”, que na sua singela simplicidade algo demodée dos jardins românticos do século XIX, é paisagem protegida dos torrejanos, uma herança dos nossos ancestrais, uma imagem, quiçá a mais forte da cidade e a que lhe confere um módico de dignidade, apesar do abandono escandaloso de que é vítima por parte desta maioria em regime de substituição.
Uma vitória eleitoral não dá mandato para determinado tipo de decisões, quando elas põem em causa valores inalienáveis à mercê de circunstâncias fúteis, como é o caso deste conjunto de obras de melhoramentos urbanos. Lembrar-se-ia Medina de arrasar o jardim do parque Eduardo VII a pretexto de alguma modernice do momento, ou de destruir o jardim da Estrela para dar uma empreitada a um amigo? Não. E salvaguardando a proporção das coisas, é isso que assusta: pensar que há quem se arrogue, aqui, no direito de assassinar friamente a mais bela herança que esta cidade recebeu dos que antes, mal ou bem, a construiram. Por isso, a defesa do jardim tal como está, e a sua manutenção e melhoramento pontual é um imperativo cívico, é um desígnio nesta luta contra este eixo do mal que se julga inimputável na ligeireza e na desfaçatez com que alimenta a sua vertigem e a sua teimosa inclinação para correr em direcção ao abismo.
Que faremos, entretanto, com este plano? Quem tiver alguma ideia que atire a primeira pedra, o que não será difícil. Atirar a pedra, claro, porque vivemos numa cidade-ruína. Tal como o “Turris XXI”, “o eixo do descanso”, “o Ponte para Todos”, agora este PEDU (a que já chamam Programa Especial de Devastação Urbana), de toda esta tralha teórica não rezará a história. Fizeram-se obras com algum sentido e utilidade, é claro que sim, como agora se pede simplesmente que se façam algumas, apenas as necessárias, com parcimónia e sentido das proporções e sem querer estupidamente enterrar milhões só por enterrar. Dessas obras que se fizerem com algum tino, dessas rezará a história. E nós, embora agnósticos, republicanos e laicos (e também socialistas sem vergonha de o sermos, já agora), rezamos para que o Espírito Santo ilumine um pouco as cabeças de quem nos governa.

 

 

 Outras notícias - Opinião


A Igreja, o espírito e o sexo »  2018-02-16  »  Jorge Carreira Maia

A recente declaração do cardeal Clemente sobre abstinência sexual dos católicos recasados e a intensa luta, ao mais alto nível da hierarquia católica, sobre problemas de ordem moral tornam manifesta, mais uma vez, a grande dificuldade que a Igreja Católica enfrenta nas sociedades modernas.
(ler mais...)


A HISTÓRIA DAS TERAPIAS NÃO CONVENCIONAIS »  2018-02-15  »  Juvenal Silva

Quando o ser humano surgiu no planeta, os animais já o habitavam e as plantas já existiam há mais de 400 milhões de anos. As plantas conforme hoje as conhecemos, evoluíram a partir de espécies de algas primitivas.
(ler mais...)


Rankings »  2018-02-15  »  José Ricardo Costa

Até ao 5.º ano do liceu (actual 9.º ano) fui um aluno cujo rendimento andou algures entre o mau e o péssimo. Chumbei alegremente dois anos e devo à simpática benevolência docente não terem sido mais.
(ler mais...)


Gritos mudos »  2018-02-15  »  José Mota Pereira

Cada noite de frio, cada rajada deste vento polar convocam-nos para escutarmos aqueles a quem falta o conforto mínimo do agasalho. Esses são muito mais do que aqueles que se recolhem nos recantos das ruas e recebem nestes dias o aparato mediático com políticos de afecto, oportunidade (ia a escrever oportunista vejam lá) e verbo fácil.
(ler mais...)


A culpa é da árvore? »  2018-02-15  »  Denis Hickel

Ninguém pode ter deixado de reparar que já vamos em Fevereiro e a chuva ainda não foi o suficiente para sairmos da situação de seca e fazer correr os pequenos ribeiros. Ou ainda, que circula nos media que estão 40 milhões de mudas de eucalipto prontas para ir para o solo, seja para recuperar as perdas das áreas ardidas, ou mesmo ampliar a plantação para a indústria da pasta de papel.
(ler mais...)


A efetividade nos postos de trabalho ajuda tudo e todo »  2018-02-15  »  António Gomes

Encontra-se em fase de aplicação o PREVPAP – Programa de Regularização Extraordinário dos Vínculos Precários na Administração Pública.
A lei 112/2017 prevê os procedimentos do processo de regularização dos precários do Estado, onde se incluem os trabalhadores das autarquias locais.
(ler mais...)


Democratizar a mobilidade »  2018-02-15  »  Nuno Curado

Dada a sua dimensão, tenho cada vez mais a opinião de que Torres Novas teria muito a beneficiar com a promoção e melhoria das suas condições de mobilidade suave. Isto é, os meios de deslocação que não envolvem veículos motorizados, seja de bicicleta, a pé ou outro meio não motorizado.
(ler mais...)


"Passeio" pela cidade com o Gustavo »  2018-02-15  »  Anabela Santos

Há convites irrecusáveis…
- Gustavo, vamos à festa de aniversário do LIJ (Lar de Infância e Juventude), na alcaidaria do castelo?
O Gustavo com um sorriso de gozo, olhou para baixo e respondeu:
- Não posso! Ei!!! É o Gustavo.
(ler mais...)


O lado esquerdo da vida »  2018-02-15  »  Margarida Oliveira

É no lado esquerdo do peito que nos bate o coração. É lá o refúgio sagrado da nossa generosidade, abnegação e um profundo amor ao próximo.
Um músculo magnífico, que nos alimenta a razão, também mais assente no lado esquerdo do cérebro, a metade sentimental.
(ler mais...)


Associativismo »  2018-02-15  »  Inês Vidal

Tenho inúmeras vezes vontade de fugir de Torres Novas. Cansa-me o mesmo de sempre, o tudo igual. As mesmas caras, as mesmas políticas, os mesmos políticos, os mesmos problemas, os mesmos passeios, as mesmas vistas, os mesmos limites, e estes sempre tão curtos.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-02-09  »  Jorge Carreira Maia A esquerda e os rankings escolares
»  2018-02-16  »  Jorge Carreira Maia A Igreja, o espírito e o sexo
»  2018-02-15  »  Anabela Santos "Passeio" pela cidade com o Gustavo