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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A CULTURA LOCAL

Opinião  »  2017-12-13  »  Denis Hickel

" Políticos, são pessoas comuns e, como a grande maioria, também não entendem a gravidade da situação."

Há uma resistência geral na sociedade e especialmente no âmbito político para implementar agendas que tornem o tema das alterações climáticas parte da cultura geral, da economia, do planeamento e do empreendedorismo. Parte disso deve-se a dificuldade de compreensão da amplitude e complexidade do tema pelo fato de que ainda é necessário uma abstração para o entender. A outra parte é que abraçar este tema exige uma mudança cultural e de comportamentos que não tem como ser imposta senão discutida e adotada de forma democrática, à medida de cada um.

 São os hábitos que possuímos de produção, consumo e crescimento material indefinido que estão na raiz do problema. Infelizmente, quanto mais deixarmos o tempo passar, maior a chance de sermos apanhados desprevenidos e vermos medidas severas impostas de cima para baixo.

 Quando utilizamos o termo alterações climáticas, as pessoas com frequência pensam em tempo meteorológico. Nosso planeta entretanto é um sistema vivo, e como tal, o clima aqui referido representa a totalidade planetária: biosfera, geosfera, hidrosfera, atmosfera, todos os seus ecossistemas e suas interações e, eventualmente, a influência do cosmo sobre o planeta. Portanto o clima é objeto de grande complexidade e imprevisibilidade. Ainda assim, através de todo conhecimento e aparato tecnológico existente, é possível para a comunidade científica coletar diferentes tipos de informação, estabelecer uma ideia global das alterações climáticas e relacioná-las com a atividade humana no planeta com 95% de certeza. São mais difíceis de definir, seus pormenores, velocidades de transição, impactos reais e efeitos em cadeia, devido à diversidade de variáveis e condicionantes interrelacionadas — mas já sabemos que serão graves.

Diante disso, fica a faltar um debate mais alargado sobre os aspectos imateriais das alterações em curso e as diversas implicações para a nossa vida quotidiana. Entender as Alterações Climáticas também dependem de diferentes sistemas de valores, interesses políticos e financeiros, intenções e aspirações de diferentes grupos e nações, ou ainda, aos significados que nós lhe atribuímos: se entendemos o mundo natural como um aglomerado de recursos, ou como sistemas intrínsecos à rede da vida e dos quais dependemos.

 Ainda que grande esforço dependa da sociedade civil, o governo, autarquias e partidos políticos deveriam fazer um esforço muito maior para sinalizar à sociedade  que é momento de mudar. Mas infelizmente, políticos, são pessoas comuns e, como a grande maioria, também não entendem a gravidade da situação. Basta ver o caso da negação do ministro do ambiente sobre  a poluição do Tejo, ou a falta de atitudes políticas mais eficazes no caso da Ribeira da Boa Água, Almonda e a total falta de abordagem do tema nos recentes planos municipais.

 A adoção de uma agenda local de reconhecimento, adaptação e mitigação, pode incluir medidas simples como atividades de sensibilização para o tema, fóruns e debates com a comunidade em geral. A seguir, deveríamos identificar e reunir atores importantes como associações, partidos políticos e empresários, para oficinas e rodas de conversa, com o mesmo objetivo. O importante aqui é facilitar espaços democráticos de discussão, onde todos possamos interagir e criar as ferramentas com as quais trabalhar.

 https://permaculturaportugal.ning.com/video/un-secretary-general-guterres-climate-change-is-moving-much?xg_source=msg_mes_network

 

 

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