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A oportunidade da sobra - antónio gomes

Opinião  »  2021-02-22  »  António Gomes

Apesar da limitação de vacinas nesta fase, o país tem vindo a ser confrontado com variados episódios de vacinação fora do que está priorizado. Há sempre alguém que se julga acima das normas ou que faz as suas próprias normas e ultrapassa assim os que estão na fila, ou então por via de terceiros chegam primeiro à seringa.

As “sobras” têm sido apresentadas como o principal argumento utilizado por quem tem usufruído da vacina indevidamente. Ou seja, sobrou uma dose e teve de ser aplicada a quem estava lá, na hora exata e no sítio certo.

Porque é que na altura de abrir um frasco (com várias doses) não se verifica logo se estão ali, em número suficiente, as pessoas indicadas? Caso falte alguma pessoa, é preciso tomar a iniciativa e chamar a próxima, respeitando os grupos prioritários, de forma a garantir que ninguém passa à frente e muito menos quem não pertence a nenhum grupo prioritário.

Sabendo-se que as vacinas depois de preparadas para administrar têm um período de seis horas para serem usadas, é facilmente percetível que só é descartada alguma se alguém dolosamente assim proceder. Ou seja, nenhuma vacina vai para o lixo a não ser que alguém o faça deliberadamente.

Mas há uma situação particular que me merece atenção: trata-se dos responsáveis políticos que ocupam lugares por via das eleições. Nestes casos, é claro que as normas devem ser respeitadas, mas acima de tudo é a ética que define o carácter de cada um ou cada uma.

O que tem acontecido é que a oportunidade da sobra tem sido sempre a oportunidade perdida para honrar o cargo que se ocupa.  Foi este o caso do vereador Carlos Ramos, da Câmara Municipal de Torres Novas.

 

 

 

 

 

 

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