• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Domingo, 08 Dezembro 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 14° / 5°
Céu nublado com chuva fraca
Ter.
 15° / 5°
Períodos nublados
Seg.
 16° / 7°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  15° / 9°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Slow journalism: o tempo da notícia*

Opinião  »  2018-09-26  »  Inês Vidal

"O slow journalism é isso mesmo: é sobre o que acontece a seguir à notícia, é a procura das histórias não contadas,"

Há uma revolução a fazer-se. Devagarinho. Em papel e a cores. Defende o tempo e tudo o que tempo nos dá. Notícias com cabeça, tronco e membros. Princípio, meio e fim. Refuta os limites do “quem fez o quê, como, quando, onde e porquê”. Vai mais longe e exige saber que contexto levou a que o que aconteceu, acontecesse, e como irão os factos influenciar a vida de todos nós daí para a frente. Questiona, procura, vai ao centro, ao coração da notícia que já foi, mas continua a fazer os nossos dias. Saímos conhecedores, esclarecidos. Mais ricos que antes. É uma abordagem que nos informa, sem preocupações com audiências ou captação de publicidade. É a informação pela informação. O jornalismo pelo jornalismo. Nem lhe poderemos chamar jornalismo de qualidade. É jornalismo. Ponto. Aquilo que um dia nós, todos aqueles que algum dia sonharam com estas coisas dos jornais, ambicionamos. E ele está aí. A chegar. Devagarinho. Fazendo o caminho que a celeridade do fast journalism veio encurtar.

O movimento tem um nome: “slow journalism”. Um anseio de muitos que ganhou forma em 2011 com o lançamento da revista Delayed Gratification, pela mão da The Slow Journalism Company, no Reino Unido. Matthew Lee, editor da revista, esteve em Matosinhos, no Quiosque Manifesto, no sábado, 22, para falar da importância do slow journalism e de uma narrativa lenta para uma informação rigorosa.

E o slow journalism é isso mesmo: é sobre o que acontece a seguir à notícia, é a procura das histórias não contadas, é o dar tempo à notícia para que respire, amadureça, em suma, aconteça. É um jornalismo sem pressas, que questiona e faz questionar, que vai ao fundo, confirma, ouve. Um jornalismo sem ambições quantitativas, apenas qualitativas. É o trazer de volta ao palco principal o acontecimento que é notícia, contrariando o fast journalism, que se vem esquecendo do que aqui nos trouxe, em detrimento de uma empresarialização dos factos ao serviço dos números que nos sustentam.

A tendência é crescente. Devagarinho, mas vai. Vamos chegando a um ponto em que até naquilo que lemos, sentimos necessidade de abrandar. A velocidade a que as notícias nos são contadas, de imediato esquecidas exactamente pela pouca profundidade com que nos chegam, começa a não chegar.
Vai haver sempre lugar para ele, o fast journalism, as breaking news, as notícias de última hora que, potenciadas pela facilidade de correr o mundo num segundo, se dão antes que alguém se lembre de o fazer, mesmo que ainda com poucas certezas sobre o que tenha acontecido. Mas, cada vez mais pedimos uma alternativa, aquela que nos vai efectivamente explicar a notícia gritada, em letras garrafais, ao ouvido.

E é no meio de toda esta inquietação a fervilhar em mim e com uma saudável e brutal inveja do Matthew Lee, que adormece à noite fiel às suas convicções e que acorda de manhã feliz com o emprego para onde vai, que o JT entra no seu vigésimo quinto ano de vida. E os novos anos são sempre uma boa altura para pensar e repensar as nossas perspectivas e expectativas. A revolução, entretanto, vai-se fazendo. Devagarinho. E a mim, dá-me vontade de ir com ela.

*O JT com Inês Vidal, em Matosinhos, na conferência “Slow Journalism”, 22 de Setembro

 

 

 Outras notícias - Opinião


A questão ambiental »  2019-12-07  »  Jorge Carreira Maia

A generalidade dos cidadãos, onde se incluem as elites políticas, não tem qualquer capacidade para julgar se as alterações climáticas em curso são de origem humana ou se são apenas efeitos de uma alteração do clima que ocorre independentemente das acções humanas.
(ler mais...)


No Jornal Torrejano, uma torrejana “dos quatro costados” »  2019-12-05  »  Ana Lúcia Cláudio

Quase dez da noite da última sexta-feira de Novembro, no aeroporto da Portela. Está quente para quem acaba de chegar de um país mais frio. Apanho um táxi para o centro de Lisboa, uma distância suficientemente curta para não ser do agrado dos taxistas.
(ler mais...)


Há um elefante na sala: o ensino superior da região! »  2019-12-05  »  Jorge Salgado Simões

Podemos não falar do assunto. Podemos todos ir pensando nisto sem dizer o que quer que seja, ou fazer do tema não mais do que uma conversa de café, para não melindrar ninguém.

Temos um problema na região com o ensino superior público: dois Institutos Politécnicos, Tomar e Santarém (IPT e IPS), demasiado pequenos e demasiado sozinhos, desligados entre si, pouco atrativos, pouco diferenciadores e com uma sustentabilidade mais do que duvidosa.
(ler mais...)


A biblioteca no mercado semanal »  2019-12-05  »  António Gomes

A Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes mudou-se para o mercado, literalmente. Às terças, quinzenalmente, é lá que se encontra.

Misturar as couves, as cebolas, o pão, o queijo, as flores e as pessoas com os livros é uma ideia que deve ser valorizada e apreciada.
(ler mais...)


O senhor da maquineta »  2019-12-05  »  Anabela Santos

Estamos no outono, muito perto da chegada do inverno. Uma estação bonita, de cores únicas, temperatura amena e blá, blá, blá… tudo de bom para dizer desta época do ano.

É também a altura em que as árvores de folha caduca se despem totalmente e deixam os seus ramos apanhar sol, ganhando assim força até à chegada da primavera, momento em que nos presenteiam, novamente, com a sombra das suas folhas.
(ler mais...)


A cantiga é uma arma... »  2019-11-29  »  Hélder Dias

O desafio da direita democrática »  2019-11-22  »  Jorge Carreira Maia

Comecemos pelo trivial, mas que muitas vezes é esquecido. O papel do PSD e do CDS tem sido fundamental para a consolidação de um regime democrático-liberal no nosso país. Uma democracia representativa não pode subsistir sem a existência de pluralidade política e de partidos de direita e de esquerda.
(ler mais...)


Deixaram morrer a tarambola »  2019-11-21  »  António Gomes

Pode dizer-se que é desolador, uma tristeza, que não querem saber, quem pode não quer, está tudo desprezado, é uma grande irresponsabilidade, é um desconsolo e mais uns quantos adjectivos, mas creio que é mais do que isso e mais grave.
(ler mais...)


Eu é que sei »  2019-11-21  »  Miguel Sentieiro

Vinha a ouvir no rádio do carro a rubrica “Eu é que sei!” A ideia passa por lançar perguntas às crianças para elas opinarem sobre o que pensam de cada temática. Eu é que sei…. “O que é um estetoscópio”, “porque há pessoas boas e más”, “porque as pessoas usam malas”, “porque é que as aranhas têm 8 olhos” , “o que é um pirilampo”, “para que serve a manete de mudanças.
(ler mais...)


Nazismo e comunismo »  2019-11-09  »  Jorge Carreira Maia

No mês passado o Parlamento Europeu aprovou uma resolução de condenação dos regimes nazi e comunista. Na verdade, ambos os regimes perseguiram e mataram adversários e o Estado teve neles uma configuração totalitária.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-11-09  »  Jorge Carreira Maia Nazismo e comunismo
»  2019-11-22  »  Jorge Carreira Maia O desafio da direita democrática
»  2019-11-21  »  António Gomes Deixaram morrer a tarambola
»  2019-11-21  »  Miguel Sentieiro Eu é que sei
»  2019-11-29  »  Hélder Dias A cantiga é uma arma...