Superação - inês vidal
Opinião
» 2023-07-08
» Inês Vidal
"“O Micael agarrou-se à bicicleta como forma de superar. Não de se superar a si, mas de superar a doença."
O que nos motiva à constante procura de superação? Qual a necessidade que temos de mostrar a nós próprios e ao mundo que somos capazes de ir mais além, de esticar os nossos limites para além do estabelecido, de querermos ser sempre um pouco mais? Fascina-me pensar nestas razões que nos movem.
Já procurei a superação uma série de vezes. Faço-o sempre que escrevo um novo texto, que tento ser uma melhor mãe, quando luto por um novo cinto no Krav Maga, em cada corrida que me inscrevo. A corrida é um bom exemplo dos meandros da superação. Pelo menos da minha. Comecei por uma corrida de 6 km. A adrenalina associada à conquista, ao ultrapassar das minhas limitações, trouxe-me a euforia e a necessidade de dar um passo maior. Passei para as corridas de 10, rejubilei quando atingi os 15, não parei enquanto não ultrapassei a meta dos 20. O excesso foi tanto, para aqueles que eram os meus limites, que bati no fundo. Percebi que a superação era para mim, mas que não tinha o mesmo sabor se não fosse partilhada com os outros. Fiquei na dúvida sobre as minhas motivações para me tentar superar. Seria para mim ou para os outros? Que tenho eu de provar e a quem, para precisar de me levar ao limite? A exaustão foi tal, que nem saboreei a superação. Desisti de correr.
Continuo a querer superar-me, a provar que sou alguém porque faço coisas extraordinárias. É inerente à minha condição humana, creio. À nossa condição humana.
O Micael agarrou-se à bicicleta como forma de superar. Não de se superar a si, mas de superar a doença. A bicicleta deu-lhe a força que precisava para aguentar um diagnóstico e um processo que deita abaixo qualquer um. Quando se sentiu com força, tentou a travessia de 1050 km dos Pirenéus, mas teve força suficiente para perceber que o melhor para si seria parar, pedalados que estavam 300. Superou-se não ao ultrapassar os seus limites, mas precisamente por saber respeitá-los. Essa conquista, provavelmente mais importante do que qualquer outra, ninguém lhe pode tirar.
Micael não atingiu o objectivo mais imediato a que se propõs e certamente ter-se-á sentido frustrado por isso, mas conseguiu um objectivo maior: chamar a atenção para um problema que não é só dele, mas é, cada vez mais, de todos nós, a luta contra o cancro. Uma luta que, essa sim, nos supera, ultrapassa todos os nossos limites e nos mostra que o respeito por nós é a única superação que devemos procurar.
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Superação - inês vidal
Opinião
» 2023-07-08
» Inês Vidal
“O Micael agarrou-se à bicicleta como forma de superar. Não de se superar a si, mas de superar a doença.
O que nos motiva à constante procura de superação? Qual a necessidade que temos de mostrar a nós próprios e ao mundo que somos capazes de ir mais além, de esticar os nossos limites para além do estabelecido, de querermos ser sempre um pouco mais? Fascina-me pensar nestas razões que nos movem.
Já procurei a superação uma série de vezes. Faço-o sempre que escrevo um novo texto, que tento ser uma melhor mãe, quando luto por um novo cinto no Krav Maga, em cada corrida que me inscrevo. A corrida é um bom exemplo dos meandros da superação. Pelo menos da minha. Comecei por uma corrida de 6 km. A adrenalina associada à conquista, ao ultrapassar das minhas limitações, trouxe-me a euforia e a necessidade de dar um passo maior. Passei para as corridas de 10, rejubilei quando atingi os 15, não parei enquanto não ultrapassei a meta dos 20. O excesso foi tanto, para aqueles que eram os meus limites, que bati no fundo. Percebi que a superação era para mim, mas que não tinha o mesmo sabor se não fosse partilhada com os outros. Fiquei na dúvida sobre as minhas motivações para me tentar superar. Seria para mim ou para os outros? Que tenho eu de provar e a quem, para precisar de me levar ao limite? A exaustão foi tal, que nem saboreei a superação. Desisti de correr.
Continuo a querer superar-me, a provar que sou alguém porque faço coisas extraordinárias. É inerente à minha condição humana, creio. À nossa condição humana.
O Micael agarrou-se à bicicleta como forma de superar. Não de se superar a si, mas de superar a doença. A bicicleta deu-lhe a força que precisava para aguentar um diagnóstico e um processo que deita abaixo qualquer um. Quando se sentiu com força, tentou a travessia de 1050 km dos Pirenéus, mas teve força suficiente para perceber que o melhor para si seria parar, pedalados que estavam 300. Superou-se não ao ultrapassar os seus limites, mas precisamente por saber respeitá-los. Essa conquista, provavelmente mais importante do que qualquer outra, ninguém lhe pode tirar.
Micael não atingiu o objectivo mais imediato a que se propõs e certamente ter-se-á sentido frustrado por isso, mas conseguiu um objectivo maior: chamar a atenção para um problema que não é só dele, mas é, cada vez mais, de todos nós, a luta contra o cancro. Uma luta que, essa sim, nos supera, ultrapassa todos os nossos limites e nos mostra que o respeito por nós é a única superação que devemos procurar.
O rio que maltratamos mata-nos a sede
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» António Mário Santos
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Da importância da redenção
» 2026-05-18
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Obras públicas concelhias
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Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
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A aposta na mobilidade não pode parar
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Todo o mundo é composto de mudança
» 2026-05-04
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» 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril». «É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. |
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» 2026-05-04
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Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. |
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» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
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O MERCADO DA INDIFERENÇA
» 2026-04-28
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, decidiu isentar a organização do Rock in Rio do pagamento de 3 milhões de euros de taxas municipais devidas pela realização daquele mega-evento. Isto é, o autarca prefere abdicar de 3 milhões de euros em favor de uma grande multinacional do entretenimento, que lucra centenas de milhões de lucro nas suas iniciativas planetárias, a alocar esses 3 milhões, que cobraria, para as necessidades da educação, da acção social ou do desporto da população da capital. |
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» 2026-04-28
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